Adoção por homossexuais

Hoje, no Brasil, um indivíduo maior de 21 anos pode adotar como casado (homem e mulher) ou solteiro (para ambos os sexos). Não há restrição legal para proibir que um gay solteiro adote. O processo é longo e demora em média três anos.

Precisamos ponderar que adotar uma criança é uma responsabilidade tamanha. Não acho que todos os casais homossexuais possam adotar filhos, assim como nem todos os casais heterossexuais possam. Mas o assunto parece ser possível de ser entendido. De fato, homens e mulheres homossexuais e solteiros já adotam no Brasil. Existe a nossa hipocrisia em fechar os olhos para esse fato. Na verdade, bastava investigar esses casos para se encerrar o assunto. A criança deve ser a grande prioridade em cada situação. Adoção é um ato de altruísmo e não um capricho na vida de um casal.

Uma seleção rigorosa é feita em todos os pedidos de adoção. Não se trata de um supermercado e nem uma distribuidora de filhos. O processo é sério, por isso, não devemos duvidar dele. Os assistentes sociais acompanham todos os casos por um bom tempo. Para adotar é preciso comprovar capacidade financeira, psicológica e moral para educar uma criança. Além de possuir uma relação estruturada. Deixemos o moralismo de lado. É melhor para uma criança ser filho de um casal gay e encarar o preconceito, do que viver na rua, pedindo esmola nos sinais de trânsito.

Todos os homossexuais são frutos de uma relação heterossexual, por que uma criança seria necessariamente induzida pelo comportamento dos pais? Não acredito que ter pais homossexuais seja mais traumatizante do que crescer em uma instituição. Acho que o amor e a dedicação destes gays podem mudar as expectativas de vida do menor. Além disso, quantas mães e pais solteiros existem pelo mundo? Alguém duvidou da capacidade deles de educar sem a figura do sexo oposto?

As pesquisas realizadas, mundo afora, são demasiadamente contrastantes, o que reflete as diversas opiniões. De um lado, o lobby das religiões busca jogar o assunto para o campo espiritual e nas garras do falso moralismo. Do outro, grupos homossexuais exigem seus direitos de igualdade e ajudam a aumentar a passionalidade sobre o assunto. De fato, existe uma pesquisa americana, realizada desde a década de 70, na Califórnia, que indica que filhos adotados de pais homossexuais não possuem diferenças em relação a filhos adotados por heterossexuais. O que mais impressiona são os dados de que de 8 a 10 milhões de crianças são criadas em lares homossexuais nos Estados Unidos - coloca o site about.com, que possui um guia especializado em adoções.

Embora a lei permita um homossexual solteiro de se inscrever em programas de adoção, acaba sendo criada uma situação problemática. Como a criança cria vínculo legal apenas com um dos pais, em caso de morte do responsável, a guarda precisará ser disputada na justiça. Caso semelhante foi observado com a morte da cantora Cássia Eller – que era homossexual assumida e vivia há 14 anos com Maria Eugênia Vieira Martins. Após sua morte, a companheira precisou brigar na justiça pela guarda do filho biológico da cantora. Disputando e vencendo a ação movida pelos avós do garoto. Um marco para a nossa Justiça que anda anos luz à frente do Legislativo e do Executivo.

Alguém pode argumentar que as crianças são cruéis e que vão infernizar a vida do adotado na escola, dizendo que os pais são isso ou aquilo, ou perguntando cadê a mãe dele. Do mesmo modo que as crianças pegam no pé das outras mais delicadas, ou por questões raciais... isso é uma questão de educação. O agredido é vítima da falta de humanidade e não culpado pelo outro não respeitar as diferenças. Se as crianças são cruéis, devemos ensiná-las, desde cedo, a serem mais humanas. Nesse quesito os homossexuais serão, com certeza, mais bem sucedidos.

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