Heterossexualidade X Homossexualidade

Por Silvana Martani
(nota Allan Johan: recomendamos o entendimento de opção sexual como orientação sexual, mas preferimos não alterar o texto - no título trocamos o sufismo ismo pelo dade, para não chocar tanto.)
  
A adolescência é um período importante para se exercitar a sexualidade. Grande parte dos jovens apresentam preferências heterossexuais e procuram seus pares a luz dessa escolha. Mas, para alguns, a possibilidade de experimentar outras opções sexuais existe e seu exercício não é incomum.

Hoje em dia é muito comum encontramos festas onde o público é predominantemente adolescente e onde todos ficam com todos, ou seja, os meninos ficam com as meninas e meninos e vice-versa.

A escola, o grupo de amigos, os ídolos, são grandes formadores de opinião e os jovens são muito suscetíveis a esses parâmetros e, dependendo do grupo que o influencia, sua sexualidade vai ser vivida de uma forma ou de outra, pois o grupo é sempre um facilitador e incentivador dessa experimentação.

Normalmente existe um cabo-de-guerra entre a forma como o adolescente foi educado sexualmente em sua casa e a influência dos amigos e dos ídolos. Sem dúvida, vencerá a identidade sexual deste jovem, mas como ele vai se aceitar ou vivenciar essa identidade na maioridade é uma questão muito mais social do que emocional.

Os jovens que se entendem homossexuais e manterão essa escolha na vida adulta terão muita dificuldade em exercer sua opção, independente da orientação familiar. A marginalidade, o preconceito e a discriminação são algumas das conseqüências do homossexualismo e, independente do que as pessoas digam ou preconizem, esta escolha é muito pouco aceita.

Essas descobertas sempre fizeram parte do universo dos jovens, mas hoje os padrões de comportamento são mais liberais, o que facilita muito toda experimentação.
Exercícios sexuais com parceiros do mesmo sexo na adolescência não significam que o jovem seja homossexual ou que vá fazer esta opção sexual na maturidade. Dependendo do grupo que o jovem faz parte, a experimentação de relacionamentos homossexuais é uma prática constante  que pode muito mais atrapalhar do que somar.

Os indivíduos nesta fase vão sentir prazer tanto com homens como com mulheres, pois eles estão aptos hormonalmente a sentirem todo tipo de prazer e é exatamente esta possibilidade que os confunde. Sentir prazer não representa escolha e sim identificação.

Em contra-partida, os jovens que somente conseguem sentir prazer com os indivíduos do mesmo sexo, não se sentindo a vontade com os do sexo oposto, encontram-se fortemente inclinados a se fixarem nesta escolha. A maioria destes jovens dispõe somente dos amigos iguais ou das amigas para tirar suas dúvidas e se informar o que é muito pouco.
 
Para os pais é muito difícil aceitar a homossexualidade de um filho e eles sabem disso. Infelizmente não se tem uma teoria que explique o homossexualismo e que seja aceita por todos como definitiva, talvez por essa opção ser conseqüência de fatores físicos, sociais e psicológicos.

Seja como for, quando os pais que conseguem - porque negam quase o tempo todo - admitir a opção do filho se decepcionam, se culpam e lutam para encontrar uma explicação. Nesse desacordo familiar, este jovem que não entende sua opção e muito menos o que acontece com ele e rejeitado pelo pai e tolerado pela mãe e a tempestade neste relacionamento pode durar anos.

É por conta destas circunstâncias que a maioria oculta, camufla e nega sua opção sexual e os pais “concordam” com isso. É sabido que um indivíduo não é sua identidade sexual, mas na sociedade em que vivemos por todo preconceito tudo acaba ficando distorcido.
Ter um filho homossexual exige dos pais muita maturidade, compreensão e respeito. É uma vivência que pode somar uma nova dimensão aos padrões e conceitos beneficiando a todos e, principalmente, que não escolheu ser diferente.
 
*Silvana Martani é psicóloga da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Site: www.psicologa.psc.br

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