Desrespeito das baladas gays

Depois do artigo “Vandalismo na Balada”, ficamos de escrever um sobre as gafes cometidas pelos estabelecimentos GLS no atendimento, os mesmos que são vítimas de alguns clientes mal educados mostrados na matéria citada. Não é revanchismo, apenas o outro lado da moeda, não da mesma, mas de uma que pouca gente comenta no meio abertamente.

Para começar, uma balada GL “S” tem que ser ao menos Simpatizante, e algumas casas contam com profissionais, e às vezes com os próprios donos, que destratam os clientes por eles serem homossexuais. Se você não acredita, em uma balada na semana do último reveillon, em um clube de Florianópolis, presenciamos um segurança pedindo para que o nosso colaborador local, o Hugo, não ficasse com seu namorado encostado em seu ombro. Claro que chamamos o dono da festa que prontamente exigiu que a equipe de segurança respeitasse os freqüentadores. Não se repetiu o incidente, mas a instrução deveria ter sido passada com antecedência.

Locais que não trabalham com o público homossexual devem ser avisados sim com antecedência do público que irão ao local no dia do evento. Embora os profissionais devam ser “profissionais”, trabalhar com gays sem aviso pode causar reações adversas, é bom prevenir. É inadmissível, porém, que locais GLS tenham funcionários homofóbicos, esses nem devem trabalhar nessas casas. E a clientela gay deve ser a prioridade. Infelizmente, em algumas casas ditas GLS os clientes gays são vítima de preconceito por parte do público hétero que vai na casa “pela música”.

Em Curitiba, uma tradicional casa perdeu seus clientes gays de tanto que os héteros os importunavam e os seguranças não faziam nada. A casa voltou a ter freqüência gay quando os seguranças passaram a intervir e os donos pararam de idolatrar a clientela hétero, pois diziam a todos que eles consumiam mais e eram mais fiéis. Infelizmente, no mesmo clube alguns clientes reclamaram de serem maltratados pelos funcionários que são prepotentes.

Na verdade, há muito mais problemas de atendimento e administração do que de preconceito em si. Esta semana, uma leitora reclamou da falta de um toldo e excesso de calor de uma casa de Curitiba. Ela contou que chegou ao local da festa e teve que esperar na chuva para entrar, já que havia uma fila quando começou a cair um pé d´água. Ela sugeriu a instalação de toldo, por exemplo, no local e se disse indignada com destrato recebido pelos seguranças, falou que não volta mais no local, que é algo que podemos e devemos fazer.

As filas são as campeãs de reclamações, principalmente as filas para pagar. Outra reclamação é a falta de opção de pagamentos ou mesmo o sistema de fichas, que muitos clientes acabam perdendo o cartão de consumo e são obrigados e humilhados na hora de pagar as taxas abusivas.

Algumas boates têm um cardápio caro demais, outras deixam faltar bebidas ou as servem quente, mais que um problema de organização, é uma falta de respeito. Mas o Procon está aí pra isso e o boca-a-boca também, é preciso fazer valer os nossos direitos, principalmente dentro da própria comunidade.

Furtos dentro de boates gays é quase uma constância, por isso, este problema deve ser encarado como um item de atenção e os clientes devem ter mais cuidado. Claro que ajudaria se as casas colocassem mais seguranças e avisos. Outro item que precisa melhorar, principalmente nas áreas próximas às casas, é a segurança. Uma leitora que pediu para não ser identificada contou que foi abordada em frente a um estabelecimento gay, quando saía, e foi levada sob ameaça de uma faca até um hotel, onde sofreu violência sexual. Este absurdo aconteceu mesmo, já que se trata de uma pessoa de nossa confiança. Indagados no local onde ocorreu o fato do porquê de os seguranças ficarem dentro da casa e não do lado de fora, e nos foi argumentado que eles ficariam vulneráveis a armas de fogo, por exemplo. Neste momento passava um grupo de punks que parecia que ia cometer algum ataque. Infelizmente os clientes ficam vulneráveis e muitos incidentes acontecem nas imediações das boates e bares gays. Em 2005, o editor da revista Lado A, Allan Johan, reagiu a uma tentativa de assalto e teve seu nariz quebrado a 30 metros da porta de uma boate. Detalhe: os agressores estavam dentro da boate gay e eram conhecidos dos donos do local que era hétero. Apesar de registrar boletim de ocorrência, nada foi feito. Mas ele evitou voltar ao local. 

Alguns problemas são fáceis de resolver, como o fato de acumular garrafas e latas na pista de maneira que não se consegue mais dançar sem pisar nelas. Um funcionário para limpar a pista seria suficiente para isso. Superlotação, banheiros sujos ou insuficientes, também são reclamações constantes que devem ser sanadas. Por falta de opção, os clientes voltam, mas muitos deixam de ir a um lugar em razão de um mal atendimento ou por não gostarem de alguma insuficiência do local.

Embora não destinado ao público GLS, funcionários de um bar de Florianópolis nas imediações da Universidade Federal agrediram covardemente cinco jovens, no final de 2007, em razão de desentendimento com o valor da conta e por suposto vandalismo praticado do grupo no banheiro de estabelecimento. Seja o que tenha ocorrido, nada justifica a violência contra um cliente. O bom senso deve prevalescer sempre.

O cliente gay é exigente demais, mas na maioria dos casos ele tem razão. O atendimento é quase sempre grosseiro e as casas não melhoram alguns itens que são relatados no final de cada noite pelos próprios freqüentadores do lugar, o que caracteriza mais uma falta de respeito em si. É preciso paciência para lidar com um público que já sofre muito durante o resto do tempo e quer ser tratado de maneira respeitosa. O gay gosta de se sentir especial, é uma necessidade inerente, por isso, é preciso ter excelência sim para trabalhar com este público. O gay é moderno, por isso, é necessário inovar e acima tratar bem, pois somos clientes e nosso dinheiro é tão bom quanto o dos outros. 




Comentários

Concordo com muito do que foi exposto no artigo acima. Eu mesmo já deixei de frequentar boates há muito tempo, só vou quando é alguma comemoração por parte de um amigo que quis festejar algo numa dessas casas. O que mais me incomoda é a superlotação, bebida quente e fila pra ir ao banheiro.

Concordo plenamente com o artigo acima. Ontem mesmo ao sair de uma das novas boates de Curitiba, a fila para o pagamento estava insuportavel. Nao é a toa que essas casas geralmente costumam nao durar muito, pois o cliente reclama!

A D O R E I a matéria e estou temporariamente de alma lavada depois de ser muito maltratada na entrada da box em um sabado de open bar no qual só não fui embora por que era aniversário de uma pessoa muito querida.Se querem manter a clientela devem ter pessoas educadas no atendimento por isso q balada gay geralmente acaba não durando.

Detesto as filas tanto para entrar quanto para sair dos estabelecimentos, mas também existe um item a ser levantado. Muitas pessoas furam fila, deixam que amigos passem na frente e daí não existe caixa que faça a fila andar né?

O descaso com o cliente é um grande problema ainda dentro dos estabelecimentos GLS. Outro dia estava em uma boate, tida como uma das do grupinho das melhores. Ao usar o banheiro, do nada, um cara muito nojento vem se esfregar em mim. Disse para ele parar com isso, com um tom bravo. Saí imediatamente do banheiro e o sujeito me seguiu, encontrei um segurança e o avisei sobre o ocorrido. E qual foi a reção do segurança? NENHUMA! Achei melhor voltar para minha casa onde não sou vítima de assédios e tenho mais segurança...

Olá pessoal da revista Lado A! Olha gente,aqui em Porto Alegre existe há bastante tempo um problema quanto a casas noturnas que se auto-intitulam "simpatizantes",mas no fundo só querem o dinheiro da galera descolada.É o seguinte,o Ocidente tem uma equipe de seguranças extremamente grosseira,os caras implicam a todo instante com os rapazes que ficam se beijando.Também o atendimento no balcão está longe de ser digno de Primeiro Mundo.Abraço galera!

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