I Conferência GLBT: Lágrimas, luta e esperança

A Conferência Nacional GLBT realizada no último final de semana em Brasília reuniu mais de 500 pessoas e fez história. Lula abriu a Conferência com um discurso emblemático no qual se colocou à disposição do movimento e mais uma vez assumiu o papel de “paizão”, com palavras de compreensão e conselhos à população.

"Quando se trata de preconceito, eu conheço nas minhas entranhas. Talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça de um ser humano", disse o presidente aos presentes.
A ausência dos deputados foi visível durante evento, salvo alguns presentes na mesa de abertura, no primeiro dia. Nos dias seguintes o evento foi perdendo público mas as discussões foram ficando mais sérias e empolgantes. A ausência dos representantes ministeriais na mesa de Políticas Públicas fez com que os trabalhos fossem adiantados e na mesa de Conjuntura Internacional quebrou-se o protocolo e foi dada participação aos observadores vindos do exterior que relataram a vida dos gays em seus países.

Outros contratempos foram sendo contornados, como o atraso dos impressos dos roteiros dos grupos de trabalho, além de outros problemas na logística do evento. Nada que comprometesse o resultado final.
Uma discussão puxada pelo grupo das lésbicas fez o clima esquentar. Elas argumentaram, e conseguiram conquistar, que o L deveria vir antes do G, dos gays, dando mais destaque e visibilidade ao movimento lés. O tema foi debatido de forma tão incisiva que teve até troca de tapas entre uma lésbica e uma transexual, que clamava pelo mesmo direito “natural” das mulheres a terem esse cavalheirismo garantido.

Parece pequeno que à frente de tantas questões a serem debatidas que uma sigla tivesse tanta importância, o fato é que o movimento feminista-lésbico ganha a cada dia mais importância, principalmente por elas terem mais seriedade e objetividade na luta pelos direitos humanos e por lutarem contra uma ameaça real e comum no mundo contemporâneo: o machismo.
Duas manifestações foram realizadas próximo ao Congresso Nacional, local onde tramitam diversos projetos de lei que visam melhorar a qualidade de vida e garantir aos cidadãos homossexuais direitos iguais ao restante da população. Ambos foram realizados na sexta-feira e contaram com grande divulgação por parte da imprensa. Um abraço ao prédio do Congresso Nacional e outro com 72 cruzes representando os homossexuais mortos durante 2008.

Duas das cruzes foram adicionadas na última semana, mais 3 ainda estavam de reserva caso mais algum crime fosse cometido. Apesar da segunda manifestação mobilizar menos pessoas, a primeira era oficial e a segunda foi organizada pela internet. A manifestação das cruzes conseguiu quantificar a violência e dizer, sem palavras, a importância da lei que criminaliza os crimes de ódio contra lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. Este projeto passou em 2006 pela Câmara dos Deputados e aguarda desde então o Senado para sua aprovação. Dois anos parado. Outros projetos já têm mais de uma década de espera, caso da Parceria Civil da ex-deputada Marta Suplicy.
Na lista de prioridades do movimento ficaram as leis, programas específicos, maior definição de metas e prazos para alcançar as demandas que não são poucas. Nada mais do que a igualdade, mesmo que para isso seja preciso especificar mecanismos para que essa igualdade seja alcançada. No fim de três dias, chegou-se ao ponto que sempre foi sabido: o que deve ser feito. Avaliou-se o caminho até aqui. Agora, como e quando passaram a ser objetivos mais claros e possíveis.

Pode-se dizer que o movimento saiu fortalecido e esperançoso, as palavras de Lula renderam muitas lágrimas e surpresa para a população gay do país inteiro. Basta saber se isso tudo foi mais um ato de ano eleitoral ou se, de fato, vai haver um maior engajamento na aprovação destas leis por parte da bancada do Governo. Vale lembrar que a bancada evangélica faz parte dos aliados de Lula, o famoso “Fogo Amigo”.

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