Pesquisa investiga perfil das DST no Brasil

O resultado da primeira grande pesquisa sobre doenças sexualmente transmissíveis no Brasil aponta que a incidência destas doenças antes dos 20 anos de idade é grande. O sexo desprotegido e alto número de parceiras é um dos pontos principais para espalhar as doenças entre a população sexualmente ativa. Seis capitais foram alvos da pesquisa: Manaus (AM), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), seguindo o preceito de que elas apresentam realidades diferentes e remontam à diversidade nacional. Foram realizados testes laboratoriais nos últimos três anos com grupos específicos de gestantes, trabalhadores da indústria e população em geral que procura os serviços do SUS. Mais de 9 mil pessoas colaboraram para o resultado da pesquisa: mulheres e homens sexualmente ativos, entre 18 e 60 anos.

GESTANTES
Mais de 40% das grávidas têm alguma DST. Entre essas mulheres, 16,7% tiveram mais de um parceiro sexual no ano anterior e 49,2% disseram que nunca usam preservativo com parceiro fixo. O grupo apresentou, ainda, prevalência de 40,4% para HPV. Também chamaram atenção as prevalências de clamídia (9,4%) e gonorréia (1,5%). Dez por cento das gestantes estudadas apresentaram infecção simultânea das doenças. A prevalência de sífilis (2,6%) também é um dado importante, pois a doença pode provocar aborto, morte do feto, malformações ósseas, surdez, cegueira e problemas neurológicos, entre outros.

57,8% já tiveram corrimento vaginal anormal;
4,7% mencionaram corrimento uretral no(s) parceiro(s);
25,2% queixaram-se de dor pélvica;
15,2% já tiveram verrugas, feridas ou vesículas genitais;
7,9% mencionaram verrugas, feridas ou vesículas genitais no(s) parceiro(s).

TRABALHADORES DA INDÚSTRIA
Grupo apresenta menor índice de ocorrência de DST. Esse grupo apresentou o menor índice de ocorrência de DST (5,2%) entre os pesquisados. Clamídia foi a doença com maior prevalência (3,4%), seguida da sífilis (1,9%) e gonorréia e hepatite B, ambas com mesmo percentual (0,9%). Como o exame de HPV exige coleta de material em ambulatório, não houve investigação dessa doença no grupo, pois eles foram abordados no ambiente de trabalho.

A grande maioria desses homens (95%) disse fazer sexo apenas com mulheres e 1,5%, com homens. Do total, 27,8% tiveram entre duas e quatro parceiras no último ano; e 7,2%, entre cinco e dez parceiras. O coito anal é praticado por 29% deles com suas parceiras.

HOMENS E MULHERES EM ATENDIMENTO
HPV, gonorréia e clamídia são as infecções mais prevalentes nesse grupo. Entre as pessoas que procuraram atendimento em serviços de saúde especializados em DST, 51% tinham alguma infecção. O HPV foi a doença de maior prevalência (32,6%), seguida de gonorréia (18,5%) e clamídia (13,1%). A prevalência de HPV afeta principalmente adolescentes e jovens adultos, sugerindo que a infecção se dá no início da vida sexual. Em 70% dos casos, a infecção ocorreu na faixa etária inferior a 15 anos.

Estudos anteriores, realizados em várias cidades brasileiras, desde os anos 90 até 2005, apontam uma grande variação entre os resultados, com prevalências que vão de 11,5% (Nova Iguaçu/Duque de Caxias, 2004) a 84% (São Paulo, 1994). Tais variações podem refletir diferenças amostrais e metodológicas nas pesquisas.

Nesse grupo, 32,3% das pessoas apresentaram clamídia e gonorréia ao mesmo  tempo. Nas mulheres, estes são os principais microorganismos associados à doença inflamatória pélvica (DIP), que causa seqüelas responsáveis por complicações como gravidez fora do útero e infertilidade. O Center for Diseases Control, dos Estados Unidos, estima que aproximadamente 40% das mulheres com essas infecções não tratadas apresentarão DIP.

Comportamento sexual dos homens:
15% fazem sexo com outros homens;
45% tiveram entre duas e cinco parceiras ou parceiros no ano anterior;
35% afirmaram sempre usar preservativo com parceiros e parceiras eventuais;
49,1% praticam coito anal.

Comportamento sexual das mulheres:
58,8% das mulheres tiveram apenas um parceiro;
28,5% tiveram entre dois e cinco parceiros no ano anterior;
47,3% disseram usar sempre camisinha com parceiros eventuais;
31,8% praticam coito anal.

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Comentários

gostaria do artigo na integra e o nome do autor ,pois gostaria de utilizalo na minha dissertaçao de mestrado

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