Homens descartáveis

"Eu te juro amor eterno..."
Fazer esse tipo de jura de amor é lindo quando se está apaixonado, ou quando se está amando de todas as milhares de maneiras que existem para se amar, mas quando se está em um quarto sozinho refletindo sobre o que é amar eternamente e todas as implicações a que isso leva, então percebe-se que não amamos o suficiente para isso. Pior ainda, amamos muito menos.

Conclusão essa que cheguei ao verificar a quantidade de pessoas que os jovens beijam em uma balada e nem lembram mais seus rostos nos próximos dias. Ainda, quando transar é mais que uma obrigação a um encontro, mesmo que esqueçamos que a palavra transar derive de uma transação comercial... E ninguém está se referindo a prostituição aqui!
Não quero criar polêmicas, mas quero apenas levar a meditação: Será que os homens têm se tornado uns aos outros descartáveis?

Algo descartável é para ser usado uma única vez e jogado fora já que não será aproveitado. Quantas vezes uns usam aos outros para satisfazerem seus desejos e depois os ignoram e os descartam? Várias seriam as desculpas para justificar essa atitude, mas a grande verdade é que estamos cada vez mais seletistas e com a comunicação global ainda mais indecisos com as milhares de opções. O mundo se tornou um “menu” qual você pode abrir e pedir de acordo com sua fome. E isso não é ruim.

Como nós gays estamos acostumados com nossas atitudes, a quebrar paradigmas que a sociedade, a religião e a família nos impõe, acabamos as vezes por derrubar junto a eles os valores que também deveríamos lutar por possuir. Um deles eu chamaria de respeito. Respeito um pelo outro e o mais importante, por si mesmo!

Foi-se embora os tempos em que a ingenuidade nos fazia crer no amor eterno e nas doces palavras ditas à luz do luar...

Imagem: Vídeo de prevenção Sugar Baby (FRA)




Comentários

Por fim, ainda há um contexto romântico no final, como se a busca pelo prazer fosse algo errado e maligno, e a busca pelo amor eterno, romântico, talvez como um livro de José de Alencar fosse nossa única forma de realização pessoal. Eu acredito que isto é uma ilusão perigosa. Talvez por acreditar que o sexo é sim um instrumento de coesão social como a natureza mesma pode afirmar. Outro fator importante a ser desmitificado, é que nossos referenciais de amor e paixão são ilusórios, pois vem de uma relaçao desigual entre homens e mulheres da 1ª e 2ª metade do sec. XX, onde as mulheres eram coibidas e tinham status inferior na sociedade. Tanto é fato, que uma vez que ganharam os mesmos direitos, o número de divórcios aumenta exponencialmente. E finalmente, gostaria de dizer, que romantismo implica necessariamente em sofrimento em dor. Não por acaso todas as obras românticas do séc XIX terminam ou vivenciam uma tragédia avassaladora durante o percurso da narrativa. Acredito verdadeiramente que as relações hoje vivenciadas pelas pessoas são muito mais sinceras e objetivas (como toda relaçao interpessoal deve ser) e pautadas por um pragmatismo derivado da nossa compreensão do mundo e da realidade, como um reflexo do nosso saber lógico e avanços científicos.

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