Conflito de Gerações

Estamos vivendo uma fase histórica nunca antes presenciada e muito menos imaginada por nossos pais e antepassados. Uma fase em que os meios de comunicação estão ditando de maneira mais expressiva a forma de viver que propriamente os mais velhos e sábios antigamente ensinavam.

Estamos vendo diariamente um conflito de gerações nunca antes vivido, onde já se discute o casamento gay, ou então a adoção de crianças por casal homossexual. Mas ainda assim posso considerar que falta de cada um dessa nova geração um pouco mais de entendimento.

Vejo diariamente centenas de jovens gays se perdendo em futilidades e discussões que em nada irão acrescentar em suas vidas, estas ditadas pela comunicação em massa tão expressiva. É comum conhecer alguns (não estou generalizando) que não se preocupam e nem ao menos lutam pelos direitos que um dia irão querer gozar.

A minha geração viu atônita a morte de milhares de gays devido à exposição ao vírus da AIDS. Vi meus artistas favoritos sucumbirem a esse terrível inimigo que silenciosamente se disseminava nos anos oitenta. Hoje vejo que essa geração não tem mais medo do HIV.

Transam constantemente sem proteção e dizem que ninguém mais morre de AIDS. Pode até ser que o tratamento seja eficaz, mas a pessoa contaminada torna-se escrava de medicamentos, os famosos coquetéis e precisa de um cuidado todo especial para sobreviver. Isso não procuram saber.

Ainda que hoje seja status ser gay, em um mundo onde os gays já são tão bem vistos pela sociedade, que aceitou sua maneira de ser graças à geração passada que pagou um preço alto por isso. Mas e agora vemos sim uma geração de estereótipos afeminados afetados e muitas vezes descontrolados que acabam por transformarem a vida em uma constante parada gay. Andam falando alto pelas ruas, fazendo brincadeiras muitas vezes impróprias e ofendendo outras pessoas, o que em sociedade alguma deveria ser permitido.

Vou todo ano à Parada, que deve ser a nossa forma de luta anual através da mobilização geral, mas o que tenho visto ultimamente? Uma parte significativa das pessoas fazendo daquilo mais uma festa como outras tantas em seus calendários de programações através do ano.
Queremos nossos direitos, mas cadê a nossa luta?

Se queremos ser respeitados em nossa casa, em nosso trabalho, por nossa família, será que o seremos se ainda somos promíscuos? Há lugar para cidadania em um banheirão ou em um dark room? Se a cada noite trazemos um novo “amigo” para nosso apartamento, como queremos ser respeitados pelos nossos vizinhos?

É simples. Se queremos respeito, que vivamos respeitosamente!
Ouço diariamente por héteros que existem pelo nosso mundo afora gays e mais gays. Aqueles que trabalham, que fazem parte da parcela significativa da sociedade que produzem e os gays que estão por ai, brincando de serem diferentes.

Que a nossa diferença não esteja apenas nas roupas ou na maneira de falar ou ainda no modo alegre de sermos, já que a própria palavra gay significa propriamente “rapaz alegre”, mas também o homem que conseguiu enfrentar seus maiores medos e se aceitou como alguém não apenas diferente, mas sim especial.




Comentários

Fui nas últimas três paradas gays de Curitiba. E o que vi foi realmente o que foi relatado pelo Fernando. Antes de ir na parada pela primeira vez, conheci pessoas que diziam que a aprada era uma festa com música onde podia beijar na boca que ninguém falava nada e um grande lugar de pegação. Nunca ouvi ninguém falar que era uma dia para dar visibilidade aos gays e uma luta por nossos direitos. Sempre saio da parada prometendo nunca mais voltar, mas sempre penso que não devo me privar de lutar pelos meus direitos por que um bando não entende o real sentido da luta. Estou fazendo a minha parte!!!

Essa discussão, de uma maior politização da parada está em alta... Os excessos e a falta de envolvimento com a luta pelos direitos dos homossexuais da grande maioria dos frequentadores das Paradas é evidente. A crítica feita pelo Fernando é coerente, mas eu não vejo ninguém propondo uma forma de mudar essa realidade... Sobreo descaso com a Aids, a minha geração realmente não viu a "cara" da Aids. Poucos de nós conviveu com pessoas debilitadas em função dela, isso talvez explique essa despreocupação...

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