Ser ou não ser... eis a questão!

Olá queridos amigos e leitores. Começo minha coluna quinzenal com a celebre e imortal frase da peça de Hamlet: “Ser ou não ser, eis a questão.” Talvez o próprio Shakespeare não imaginasse que sua imortal frase viajasse no tempo e fosse tão bem utilizada nos dias de hoje. A referência é clara e eu pergunto: - Devemos ser assumidamente gays nos dias de hoje?

A dúvida parte de uma série de acontecimentos que temos visto diariamente em jornais, na TV, revistas, sites, enfim, uma montoeira de fatos que agridem não só nossa cabeça mais também a alma. É deputado bêbado causando mortes de inocentes, ex-policial matando gays, psicóloga que promete a cura, é tanta coisa que acaba sendo difícil aceitarmos o que realmente somos.

A questão surge já na infância, quando somos interpelados por uma educação baseada na cultura masculina e machista, vinda dos primórdios da civilização. Já disse isto aqui e reafirmo, crescemos moldados de acordo com o que nossos pais querem que sejamos. Mas será que vale mesmo a pena assumir o que somos de verdade?

Sempre digo para sermos aquilo que queremos ser, assumir nossa sexualidade e exorcizar aqueles que condenam. A vida é bem mais fácil quando assumimos para nós mesmos o que verdadeiramente somos.

O esteriótipo do homem gay afeminado e muitas vezes caricato está a toda hora pipocando em nossas mentes e em versões fracas de tele-novelas já ultrapassadas, o conceito é sempre o mesmo: o gay que é cabeleireiro ou maquiador, que usa roupas justas e coloridas, cabelos sempre picotados, voz fina e trejeitos apelativos.

Que existe este tipo de gay, sim, existe, não podemos e nem vamos aqui julgar ninguém. Agora, o gay é muito mais do que só isso. Chega de compararem o homossexual a um esteriótipo afetado e muitas vezes, porque não, grosseiro. Aproveito o gancho para dizer que conheço muitos homens casados, com filhos e gays, claro, não assumidos, mas gays, gays de alma e coração. Se vivem bem ou não, não compete a mim dizer.

Portanto sempre digo a quem me pergunta se deve assumir ou não: faça um breve resumo de sua vida até agora, sem pensar em 5 segundos diga se viveu bem até aqui, se a resposta for sim, então não assuma. Como diz Zeca Pagodinho em uma de suas músicas, deixa a vida me levar... é a melhor coisa a fazer. Se está bem, pra que mexer em time que está ganhando.

Acho digno e muito justo quando alguém assume o que é e mostra para as outras pessoas que o gay pode e consegue chegar longe. Agora, temos que respeitar aquela maioria que não pode ou não quer por algum motivo assumir sua sexualidade. O importante é viver bem e feliz, o resto vem com o tempo.

Aliás, vivemos dias tão conturbados que qualquer exposição maior pode ser um risco, tanto para saúde mental quanto física. A vida é boa e deve ser vivida em sua plenitude. O limite de cada um é relativo então se você quer assumir para todos o que verdadeiramente é esteja preparado(a) para enfrentar as dificuldades que certamente virão, afinal, infelizmente, o mundo não está preparado para aceitar o quão especiais somos e podemos ser.

Respeito e dignidade se conquistam, a luta é árdua e longa, mas lembrem-se sempre de que sem luta não há vitórias. Bom, fico por aqui a pensar...Ser ou não ser..eis a questão... Salve Shakespeare!


 




Comentários

O tema abordado já foi comentado e discutido por outros colunistas. A idéia da discussão é a mesma, inclusive a falta de conclusão. O assunto em questão é amplo e polêmico. A sugestão de se assumir ou não, fazendo um breve resumo da vida e chegando a conclusão se viveu bem ou não, pode ser precipitada.

Essa questão vai ser sempre atual e estar aberta a discussões, sendo que cada um deve saber o que é melhor para si. O mais importante é a pessoa não deixar de viver em função da opinião dos outros, afinal, só se vive uma vez! Parabéns pela coluna!!!

Discordo do primeiro comentário. O tema pode e deve ser abordado muitas outras vezes.Este é um assunto que talvez nunca esteja totalmente concluído. O colunista abordou de forma precisa e direta a questão. Não induziu ninguém a se assumir, pelo contrário, de forma clara mostrou que o mais importante é se viver "bem e feliz".Portanto antes de se comentar alguma coisa sem nexo e dizer publicamente bobagens, é sempre valído ler e interpretar o assunto que se está lendo...e concordo com o segundo comentário, "mais uma vez memorável".Adoro sua coluna..parabéns Vagner Rossoni, nos trazendo sempre textos de qualidade de uma forma simples e objetiva.Parabéns também ao pessoal da revista.

Olha, isso vai de pessoa a pessoa. Ninguém é obrigado a se assumir. Pois uma ação leva a uma reação, não quero dizer que um gay sofre. Ser gay não é nada, pelo contrario é como se fosse um hetero ao contrário. Todos nós sofremos preconceitos (negros, gordos, doentes) um hetero sofre preconceito se por exemplo um cara branco se casa com uma negra. O propósito desse comentário não é classificar tipos de preconceitos e sim dizer que cada um tem o seu jeito, modo de pensar e o mais importante "seu tempo". Um caso vivo, eu.... sou gay não sou assumido, mas não por medo, mas por ver que ainda não chegou a minha hora. Namoro, vou me casar com o meu namorado mas as pessoas que devem saber sobre mim sabem, as outras deixa descobriri com o tempo. Os esteriótipos do povo é resultado de uma ensenação mal mostrada e falta conhecimento. Encenação pq o nosso povo não tem uma direção a seguir, pra eles é assim: "sou assim, me engulam". Falta de conhecimento pq hoje em dia não existe mais diálogo, é cada um por si. Se fosse o contrário muita coisa teria mudado. Vag... Parabéns pelos artigos e a revista é show de bola. Bj guri

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