Tudo sobre o XXI Crystal Fashion

O maior evento de moda do Paraná para a primavera-verão 2010 lança em Curitiba as tendências e coleções de 12 marcas que possuem ponto de venda no Shopping Crystal Plaza, no coração no chique bairro do Batel. O evento já é tradicional e normalmente traz grandes marcas em seus corredores, artistas nas passarelas e muitos colunáveis desfilando pelo evento. Este ano não foi diferente, salvo que algumas marcas ficaram de fora, mas o show não pode parar. Destaque para o stand da marca Bioslim, que trouxe novidades do setor ao evento de moda. O Crystal está morno mas continua lindo. Sem muitas novidades, o evento cumpre o seu papel de oferecer um toque de moda e agitar a cidade.

Fotos: Ricardo Pacak

Confira os nossos comentários para os desfiles:
(Allan Johan e Germano Wiedermann)

IODICE para MISTER JEANS
O atraso de quase uma hora para o inicio da apresentação e a confusão causada pela má organização de seating (a apresentadora Adriane Galisteu – namorada do filho de Valdemar Iodice – realmente precisava de oito seguranças ao lado dela na primeira fila e gerou uma cômica dança das cadeiras) ilustram perfeitamente o paradigma que o evento como um todo enfrenta atualmente: a presença de celebridades parece ter afastado os verdadeiros formadores de opinião e os clientes assíduos das marcas da sala de desfiles; questão especialmente relevante quando temos em conta que o Crystal Fashion, antes de mais nada, é um evento de retail, devendo em teoria apresentar as coleções já lançadas anteriormente para esse público, gerando informação de moda e vontade de consumo.

Dito isso, o desfile não agregou o novo ao honesto denim da marca – enfadonha sucessão de jeans em lavagem media e tops em branco – e se mostrou prejudicado pelo infeliz styling de faixas de couros e bandanas amarradas all over.

VISH
O bom exercício da malharia foi uma simpática surpresa no desfile da iniciante Vish, que abriu sua apresentação com o ótimo bloco em branco e pegada sportswear, inspirado pela Lacoste. O bem feito styling, que acertadamente reforçou a estética minimalista proposta com transparências, interferiu positivamente na coleção que privilegiou formas mais livres e ares hipsters. A blusa masculina em tricot dourado see-trough e o vestido com a boa estampa de tortas e bolos com transparência em preto foram sinais claros do potencial dos estilistas.

VIRA O DISCO
Sintonizada com o lançamento da versão de Tim Burton para o clássico Alice no Pais das Maravilhas, a marca curitibana evidenciou suas raízes rocker no uso de elementos dark. A caveira, onipresente nas peças, encontrou seu melhor uso no primeiro look – a nada obvia aplicação de ossos sobre a skinny masculina preta – ao lado de referencias ao gothic lolita das teens de Harajuku e alfaiataria masculina.

CORI
Ton sur ton, drapeados, estampas e muita alfaiataria no verão 2010 da Cori, que trouxe a magia do oriente com a interferência ocidental. Silhuetas jutas e cintura marcada, toques masculinos com muita feminilidade, com direito a capas, lapelas e risca de giz. Uma mulher clássica, recatada e ao mesmo tempo moderna e sensual. Tons pastéis e o tradicional preto e branco passando pelo marinho, verde e goiaba são as apostas da marca, acertadíssimas, para o próximo verão.

TRACK & FIELD
Os acessórios marcaram mais uma vez a coleção da marca se sport wear que levou à passarela uma coleção femina com tons vibrantes em contraste com o cinza escuro, o branco e o preto, e muitas referências à natureza. A coleção masculina apostou no clássico com um ajuste maior e tecidos tecnológicos. A sobreposição é uma aposta da marca, bem como a integração da roupa com a silhueta e acessórios tecnológicos.


HERCHCOVITCH
Com as melhores peças bookadas para o Oi Fashion Rocks, como a seqüência em látex do SPFW, Herchcovitch mostrou uma versão mais comercial e usável de seu verão 2010. Ao vivo, se pôde ver o acabamento impecável das roupas que fazem jus ao nível de reconhecimento (e pontos-de-venda) internacional que o estilista alçou.

O esporte, vocabulário fluente do criador, foi exercitado de maneira encantadora e deu origem a ombros marcados e pences de recursos gráficos, além de um certo perfume de Versace, que se viu na estampa que lembrava a coleção de verão 1996 do italiano e nos cintos com ferragem dourada. A silhueta elegantemente construída e geométrica é pura informação de moda, enquanto a influência do tailoring evidencia o know-how da marca.

No masculino, a linguagem sporty continua com o bom uso de tecidos tecnológicos e uma cartela de cores mais fechada, apenas iluminada por laranja e pink. Mais uma vez, o estilista apresenta boas leituras do guarda-roupa formal do homem, como a cropped jacket do primeiro look e as camisas de smoking. Os guarda-chuvas com pegadores cromados em formato de soco-inglês reforçam a estética um tanto quanto sombria – presente também no ótimo sapato com corrente de metal.

TRITON
Seguindo a mesma direção que as grandes passarelas internacionais, o boudouir surgido no ultimo desfile de Dior, a Triton transporta a lingerie para sua jovem consumidora. Trabalhando em uma cartela pastel, corsets encontram a tela perfeita no denim lavado e babados se proliferam nas delicadas estampas de florais liberty.

O universo vintage aqui não é obvio ou datado, nem pode ser rotulado como folk – é, sim, uma combinação de peças aparentemente aleatórias – cardigan, shorts, blazer Chanel – com os acessórios do momento, notadamente o cinto de laço e as bolsas em matelassê, criando uma imagem jovem e maximalista que é a cara da Triton Girl.

O fundamento da sobreposição é bem aplicado, como no vestido camisola em camadas de diferentes padronagens em azul e no vestido de organza transparente em salmão, ao mesmo tempo que o trabalho primoroso de flores, em colares, tops e no vestido usado com colete jeans, impressiona. Mesmo os paetês, facilmente o clichê da hora, foram usados com sabedoria e aparecem em formas e texturas menos convencionais. O masculino, por outro lado, ainda precisa evoluir um pouco.

Forum Tufi Duek
Mesmo com a saída de Tufi Duek, diretor criativo da marca – posto ocupado agora por Eduardo Pombal – a imagem da mulher Forum, urbana e dona de uma sensualidade pós-minimalista permanece inabalada. Numa coleção basicamente composta por peças únicas, aqui foram justamente os ‘separates’ que brilharam: a saia envelope com bordados negros com tema marítimo usada com frente única branca e a frente única preta com transparências rendadas usada com calça branca resumem perfeitamente o espírito prático e elegante das consumidoras, alçando um feito difícil em tempos de crise: criar desejo de moda e ser absolutamente usável.

Sob o signo do mar, dos peixes e corais, o que se viu foi algo comercial; ainda sim com bastante conceito e especialmente bem executado, conseguindo conciliar o dueto clássico preto e branco com as cores fortes da temporada – azulão e amarelo cítrico. As estampas subaquáticas poderiam perfeitamente ter ficado de fora do styling, não acrescentando absolutamente nada ao desfile; talvez na vida real essas peças possam encontrar o seu lugar. Na silhueta levemente body concious com cintura marcada e muitos tomara-que-caia, nos materiais novidadeiros como o neoprene, a renda tecno e o couro de tilápia, nos drapeados em cetim e nas sandálias com um sabor de Balenciaga, a Forum mostra certamente quem é e tem seus melhores momentos.

TNG
As mãos da poderosa Regina Guerreiro armam a coleção inspirada na África com um styling poderoso, que faz com que peças extremamente comerciais ganhem ares fashion. A grande questão é até que ponto isso começa a enjoar aqueles que acompanham a trajetória da marca, especialmente quando se tem em vista o destino que essas peças ganham nas ruas: no corpo dos modelos a muitas vezes falta de corte parece intencionalmente oversized e faz sentido enquanto uma história. Dito isso, o forte deste verão estava todo lá: o safári, o nude, os tons carregados dos anos 80.

A boa estamparia sobre o jeans branco, apesar de já ter sido feita por Dolce&Gabbana no começo dos anos 2000, funcionou perfeitamente; melhor até que o original. Neste mesmo ritmo as sandálias, exatamente iguais as desfiladas por Chanel recentemente, são um bom investimento para as adeptas do fast-fashion. Merecem destaque também os bons blazers masculinos, em cetim e algodão, a jaqueta motard jeans em lavagem ácida e as camisetas com estampa de bicho.


MIXED
A presença de Luana Piovani pontuou o desfile da Mixed. Jogando num território seguro, a marca falhou ao apresentar roupas simples demais e sem nada que as diferenciasse daquelas encontradas nos grandes magazines. O bloco enfadonho de estampas, a seda em silhuetas despojadas e já datadas, os paetês dourados e mesmo o look final, longo estampado em cobra – deja vu de Gucci em 1999, tudo contribuiu para uma sensação de que os clichês foram se repetindo ao longo da apresentação.

O gás e o espírito de evolução e novidade que deveriam reger a moda, apareceram nas ao território da lingerie e na modelagem de ombros marcados de algumas peças. Os grandes momentos certamente foram o chemise de seda branco desfilado com saia pregueada em bege dourado e o vestido branco de ombros arredondados, quase ao final da apresentação.


ROSA CHÁ
A cantora Elza Soares foi a grande inspiração da nova coleção da Rosa Chá que levou à passarela elegância, sofisticação e toda a sua característica brasileira. Tecidos com toque e visual natural, renda e o alfinete – amuleto da sorte de Elza Soares e muita texturas. As cores carbono, verde, laranja, roxo, amarelo-lima, bege-mulata e branco, referências ao futebol e ao Sampa, além do poá, caminham juntos na coleção deste verão. Franzidos e drapeados dos anos 80 voltam e relembram a fase punk-rock da cantora.


CAVALERA
Inspirada nas cores e símbolos paulistas e paulistanos, a marca trouxe uma coleção com muitas listras, muita malha e algumas peças interessantes estruturadas. Participou do desfile o ator Miguel Rômulo, o Felipe da novela “Caras & Bocas”. A coleção Verão 2010 da marca trouxe uma coleção urbana e jovem, com interferência da cultura skater e surfer. O preto, branco e vermelho e as listras da bandeira do estado de São Paulo marcaram forte influência na coleção, bem como todo o glamour e brilho da terra da garoa.


SAAD
Leve e despretenciosa, a mulher Saad abriu com o pé direito os trabalhos desta temporada de Crystal Fashion. Os tons de colorido suave – coral, amarelo, baby blue e mauve – fizeram o contraponto certo ao nude, que serviu de base para a coleção. As raízes malleterie da marca se mostraram através dos detalhes em couros especiais em alguns looks, como o blazer com phyton desfilado com pantalonas.

O safári, recorrente no vocabulário fashion da estação, ganhou acabamento Premium e diferenciou-se através da imagem refinada apresentada, ganhando como complemento perfeito os acessórios sempre muito bem cuidados da marca. A saia com recorte, que deixava escapar pétalas de seda, foi um sopro de frescor e um show de know-how, mostrando exatamente o caminho que uma marca de luxo deve seguir. A silhueta contrastando momento de fluidez com estruturação, os bons boyfriend-blazers e o cuidado com a execução das peças são a cara da consumidora da marca, atenta as tendências mas sempre com um pé no clássico. 

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