Sobre quando a decisão certa é a mais difícil a ser tomada

Uns dias atrás, eu estava pensando na minha vida so far. Pensando nos namoros incompletos, nos trabalhos inúteis, nos amigos falsos e nos verdadeiros, na faculdade que eu larguei e na família que eu deixei pra trás...

A vida é um pouco de um tudo e, na maioria das vezes, se você deixar uma chance escapar that is that, ela não volta. Como quando eu ganhei uma bolsa integral pra Arquitetura e passei na UFPR em Letras... optei por Letras e me arrependo até hoje.

Talvez essas decisões nos sejam apresentadas em momentos inoportunos e fazer a decisão certa seria uma maneira de crescer, interna e externamente. Talvez sejam essas as decisões que diferenciem a criança, do adolescente e do adulto.

Quando criança, a maioria das suas decisões são supervisionadas, e cabe ao seu supervisor te ensinar a diferença entre uma decisão prejudicial da que vai te ajudar. Por exemplo, eu lembro que eu sempre tive a curiosidade de pisar num prego, não sei porque. E por que eu nunca fiz isso? Por que sabia que ia doer, que podia pegar tétano e etc. Quem me ajudou a fazer essa decisão de não pisar no prego? Parcialmente minha família e parcialmente meu instinto de que sentir dor não é bom
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Adolescentes normalmente fazem decisões que moldam sua individualidade na sociedade e família. Quando eu paro e penso, um dos motivos que optei por Letras, no lugar de Arquitetura, foi porque meu pai sempre quis que eu fosse um Arquiteto, mas ele nunca me encorajou a fazer nada. Nunca incentivou, nunca deu apoio, então porque eu faria algo pra agradá-lo? Não fiz.

Os namoros que tive eram normalmente para provar que eu não ligava pra opinião alheia. Meu primeiro namorado era bem afeminado, meu segundo era 20 anos mais velho... Qualquer coisa que chocasse. Sei agora que não amei nenhum deles, uns outros depois deles sim, mas não eles.

A decisão de não trabalhar em algo que fosse vazio, pensando estar forçando minha identidade à minha família, sem saber que não era o trabalho que era vazio e sim minha personalidade e perspicácia em ver que poderia aprender em qualquer ocasião.

Trepar com meio mundo, até 6 ou 7 caras diferentes por noite... mas sempre dormia sozinho. Às vezes sinto falta da minha sexual de antes, mas tudo passa e saudosismo é um dos grandes males da humanidade.

Nesse meu primeiro ano de vida conjugal tive que fazer muitas decisões que estão moldando a minha vida, caráter e espírito.Meu parceiro acaba de completar 50 anos de idade e vai muito bem. Cansado e estressado por trabalhar, mas sempre me faz rir e se renova fazendo fotografia, sua arte. Sexo só de vez em quando, o que costumava me trazer insegurança. “Ele não transa comigo porque tem outro” ou “Ele me acha muito gordo, por isso não se excita”... Que nada, o caso é que ele tem 50 anos...

Saber dar liberdade, mesmo que eu não queira ser livre. Deixar ele ter os amigos e a vida dele. Isso foi algo que a Mel costumava dizer “Namoro é um tripé: minha vida, sua vida e nossa vida. Tira um e tudo desmorona.”

Trabalhar, mesmo que não seja o trabalho dos seus sonhos e saber se realizar em tudo o que faz. Tirar proveito de toda situação e ser verdadeiro. Se você está sendo pago pra fazer algo, mesmo que não goste, faça bem feito.

Minha relação com o Jackson é cheia de altos e baixos. Eu ainda tenho meus ciúmes e ele ainda tem os seus momentos “sem noção”... Mesmo aos 50 ele ainda é mimado pelos pais, e como eu não mimo tanto ele, entramos em conflito.

Sem muito sexo, beijo ou demonstrações públicas de afeto, muita “ranzinzice”, momentos de incerteza e momentos em que eu quero encher a cara dele de porrada... Ainda assim a decisão certa, e mais difícil que fiz, foi escolher ele como meu parceiro para o resto da vida. Sempre acreditei que na hora que eu encontrasse aquele alguém com quem dividiria a minha vida, esse alguém teria que ser a mistura entre amigo e amante. E é isso que somos. Amigos e amantes, em alguns dias somos um mais que o outro, mas no fim das contas o que todos nós queremos, precisamos e merecemos é alguém que tome conta e nos ame do jeito que somos, com todas as merdas que fazemos, as besteiras que falamos e fazemos. Alguém que te dá a mão para te levantar.

Quando você vai na internet e vê esses caras que só querem trepar, trepar, trepar. Tudo non strings attached... pense bem, é assim que você quer ser? E quando você tiver uns 60 ou 70 e teu pau não levantar mais?

A decisão certa pode ser a mais difícil a ser tomada, mesmo que seja óbvia.

 




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