A gente só tem um único amor na vida?

Estava na semana passada com duas amigas falando sobre nossos namorados achei o tema desta semana para o blog. Uma delas havia terminado um noivado de seis anos e estava desolada pois tinha a certeza que o cara era o amor da vida dela. Minha outra amiga também tinha terminado com o namorado para ver se ele tomava jeito e tinha a mesma certeza: o cara era o cara. Bem, para falar a verdade só eu mesmo estava namorando e não tinha problemas no meu namoro, mas fiquei com uma dúvida: temos mesmo só um amor na nossa vida?

Eu discordei na hora e continuo a discordar. Tive um namorado que eu amei bastante, que só o meu namorado atual me fez esquecer ele, depois de mais de 10 anos. Até então, eu concordaria com elas. Na época, eu achava que ele era o cara, mas depois percebi que não, ao contrário, meu namorado atual é muito melhor e combinamos mais, tanto que estamos há quase dois anos e meio juntos, sem nunca termos brigado. Mas é engraçado como tendemos a achar que tudo é para sempre e que a pessoa é a certa, a nossa metade. Eu digo ao meu namorado que ele é sim a minha alma gêmea, mas se um dia terminarmos, não acharei que estarei fadado a infelicidade, como as minhas amigas. Vou sofrer, mas não irei me achar um infeliz para sempre.

Essa coisa de achar que temos que encontrar a outra metade da alma vem dos gregos, do mito do Andrógino, do livro Banquete de Platão, escrito pelo discursista Aristófanes. Segundo ele, habitavam a terra três gêneros humanos. Os seres possuíam duas cabeças e todos os órgãos e membros em dobro. Zeus, cansado da insolência deles, decidiu partir-lhes ao meio, para que passassem a vida inteira se ocupando de procurar a sua metade, diz a lenda. Os que eram totalmente femininos geraram as lésbicas, os masculinos aos gays e dos andróginos, seres metade homem - metade mulher, os heterossexuais. E não é exatamente isso que fazemos? Perdemos tempo procurando a nossa metade perfeita? Mas quão injusto é pensar que só uma pessoa pode nos fazer completo? Matematicamente, seria mais provável ganhar na Mega Sena do que achar a tal metade. Tal conceito foi abocanhado por outras religiões que unem as relações como sagradas e eternas.

Engraçado que na natureza muitos animais parecem concordar com o mito grego. Entre os mamíferos, 5% das espécies são monogâmicas, ou seja, possuem apenas um parceiro por toda a vida. Mas os exemplos são lindos: Araras, pingüins, castores, lontras, águias, alguns roedores, todos chegam a ter sinais de depressão quando o companheiro morre. Mas entre os seres humanos parece que a idéia surgiu para justificar o fim de relacionamentos. Quando terminam, a gente acredita que ainda não apareceu a pessoa certa. Mas e as pessoas que tem essa certeza, de que já conheceram a pessoa certa, ou aquelas que acham que a pessoa certa é o cônjuge de outra, ou então aqueles de quem a tal alma gêmea já se foi? Eternos infelizes? Acho injusto.

Acabou que o papo com as amigas não foi muito longe, uma continuou a achar que perdeu o homem de sua vida e a outra está disposta a lutar e seguir as escolhas do namorado, se sacrificando. O amor é lindo. Cego, surdo e, quase sempre, irracional. Acredito que podemos sim encontrar outras pessoas que nos façam felizes, mais ou menos, mas rotular alguém como a pessoa certa depois que o relacionamento deu errado não acho eloquente. Podemos ser seres mais completos, talvez precisemos sempre de alguém para nos completar, mas jogar essa responsabilidade em outra pessoa é algo terrível. Terapia, autoconhecimento, amor próprio, eu diria a quem não é feliz estando solteiro ou com outra pessoa. Aos enamorados satisfeitos: que seja eterno, enquanto dure.




Comentários

Concordo plenamente com seu ponto de vista Johan... apesar de saber que temos amores, no plural, durante a vida, ainda continuo lembrando de um em especial, não sei se foi por ser o mais verdadeiro, ou o mais romantico, o mais amigo, etc... ou seja, mesmo depois de ter acabado (por motivos que não convém dizer, pensem em algo que impede que haja um relacionamento entre 2 homens, provavelmente acertarão, pois são muitos) ainda continuamos amigos e espero que encontre alguem... vou parar pq esse texto ja está muito meloso. Então, assim como acredito em que viveremos várias vidas, tbm acredito que para cada fase de nossa vida existe um amor diferente (ou não, felizes daqueles que estão preparados para uma relação que dure a vida toda, pouquíssimos), amigos diferentes... não que o amor ou a amizade tenha acabado; é como o texto acima diz, que seja eterno em quanto dure, ou quem sabe se no futuro não voltará a acontecer de novo ? São tantas as reviravoltas que a vida dá meus amores...

Bom, tenho que me permitir ter uma mistura do racional com o emocional para bom entendimento deste texto, uma vez que, acredite se quiser, me vi encaixada nesta história. Mas no meu ponto de vista, informo que creio sinceramente que a pessoa especial que aparece em nossa vida, seja la em qual fase, é insubstituível em vários aspectos... Sendo considerada, diante da mistura total de sentimentos, a outra metade. Mas, por outro lado preciso acreditar que se não for aquela a pessoa especial, com certeza aparecerá outra mais especial em outro momento, sendo insubstituível em vários outros aspectos. Vamos ser mais sinceros?! Qndo consideramos uma pessoa a outra metade, não nos permitimos a desistência em nenhum momento. com isso quase impossível de se envolver com outra pessoa, não?! Bom... eh isso.. desejo que as histórias de suas amigas tenham um final feliz! Beijos

Eu acredito que o amor que sentimos por alguém é unico, o próximo não será o mesmo, aprendemos que cada relacionamento nos ensina amar de uma forma diferente, então o amor é unico. Existindo vários tipo de amor, mas isso rende outro assunto para o blog...

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