A Parada da Diversidade: militância ou festa?

A Parada da Diversidade, ou Parada Gay como a maioria das pessoas a chamam, tem a cada ano crescido em diversos pontos do país. Já não é mais novidade que a Parada de São Paulo é a maior do mundo, gera milhões em receita financeira para a cidade e que os governos tem cada vez mais apoiado os eventos.

Mas quem freqüenta ou já participou de alguma edição da parada gay, tanto a de São Paulo quanto de qualquer outra cidade, até mesmo a de Curitiba, sabe que a “festa” não parece estar mais voltada à militância. O que tem acontecido é que muitos gays acreditam que o dia da Parada da Diversidade é um dia de “Carnaval Gay”.

Ao chegar na concentração já se consegue ver a multidão reunida pronta para “caçar”, e uns já chegam “atirando”. Tanto homens quanto mulheres se reúnem para beber litros de álcool e usar drogas. Doa a quem doer, essa é uma realidade que mancha o real sentido da Parada da Diversidade. Outro ponto muito criticado por diversas pessoas, sejam elas homossexuais ou não, é o fato dos corpos à mostra em exagero. Lanço uma indagação: Qual é a parcela de contribuição e corpos à mostra em exagero para com a causa militante? Os “exibidos” que me perdoem, mas não creio que seja relevante.

É aceitável que a liberdade de expressão seja um direito, mas de fato corpos seminus não tem grande importância quando se quer buscar o respeito e dignidade em uma sociedade. É compreensível que estes gays queiram levar a realidade de certos ambientes homossexuais ao público. No entanto, quem quer ser aceito não deveria querer chocar seu alvo de aceitação ou respeito.

Há alguns dias eu estava conversando com uma pessoa influente no meio gay e está me afirmou não participar da parada de Curitiba justamente por saber que a passeata atualmente não existe por causa militante e sim por “farra”. É claro que em muitos locais existe um investimento verdadeiro em trazer ao público a realidade e vida homossexual. Mas, é incontestável que a passeata regada a álcool, corpos expostos ao extremo, drogas e uma multidão que deixa um rastro de lixo nas ruas discriminadamente não causa a menor boa impressão às pessoas. E boa impressão é fundamental para não haver atrito e contribuir para a “aceitação”, mote tão defendido pelos gays.




Comentários

Olha, fazia algum tempo que eu não me identificava TANTO com um texto. Realmente, penso que a parada perdeu o sentido e a razão de existir. É somente mais um lugarpara "caçarem" como o texto diz. Penso que a parada é algo de tom político, de respeito, que deveria haver temáticas todos os anos que façam as pessoas se identificarem com as mesmas e, por consequinte, apoiar a causa. Mas oq ue vemos é uma tremenda algazarra, sem nexo, que só serve para manchar a dignidade daqueles que lutam seriamente pela causa.

Olha.. realmente me identifiquei com esse seu texto, e tenho o mesmo pensamento, acho que as coisas deveriam tomar um tom politico, um tom de "militância" como foi dito no texto, e o que vemos é um carnaval.

Comentar

Conteúdo relacionado