O amor homossexual (Parte Três)

Em Madagascar, há jovens rapazes que vivem como mulheres e que têm relações com homens; eles pagam aos que lhes agradam. Em um velho relato, do século XVII, lê-se isto: “Há alguns homens que eles chamam de tsecats, que são efeminados e impotentes, que procuram rapazes e fingem-se de apaixonados; imitam as moças e vestem-se como elas, presenteiam-nos para dormirem com eles e chegam a atribuírem-se nomes de moças, fazendo-se de envergonhadas e de modestas. Eles odeiam as mulheres e não as querem freqüentar.” Também se observaram homens efeminados entre os ondonga (na Africa sub-ocidental alemã) e entre os diaquitê-sarracoleses (Sudão francês) ; porém faltam-nos pormenores acerca dos seus hábitos sexuais. As práticas homossexuais são correntes entre os banaca e os bapucu (Camarões). Porém eles parecem ser relativamente raros entre os indígenas da Africa, em geral, salvo entre os povos de língua árabe e em países como o Zanzibar, em que a influência árabe é acentuada. Na Africa do Norte, tais hábitos não se limitam aos habitantes das cidades; elas são freqüentes entre os camponeses do Egito e universais entre os jbala, montanheses do norte do Marrocos. Por outro lado, são muito menos correntes, mesmo raras, entre os berberes e os beduínos nômades; quanto aos beduínos da Arábia, acham-se inocentes deles.

A homossexualidade é difundida na Asia Menor e na Mesopotâmia. Ele é freqüentíssima entre os tártaros e os caratchais do Cáucaso, entre os persas, os sics e os afegãos: em Cabul, um bazar ou uma rua lhe é reservada. Os viajantes antigos falam da enorme extensão da homossexualidade entre os maometanos da India: parece que, sob tal aspecto, o tempo não trouxe modificações. Na China, em que ela é, igualmente, comuníssima, há casas especiais de prostituição masculina e são numerosos os meninos vendidos por seus pais desde os seus quatro anos de idade, para exercerem tal mister. No Japão, a pederastia remonta, dizem alguns, às idades mais afastadas; para outros, ela foi introduzida pelo budismo, cerca do século VI da nossa era. Os monges viviam com belos rapazes, com quem, frequentemente, achavam-se apaixonadamente ligados; na época feudal, não se via, quase, cavaleiro que não tivesse por favorito um rapaz com quem ele mantinha as mais íntimas relações e por quem ele achava-se sempre pronto a bater-se em duelo, quando se lhe apresentasse a ocasião. Encontrava-se, ainda, em meados do século XIX, casas de chá em que as gueixas eram do sexo masculino.

Atualmente [o autor escrevia em 1929] parece que a pederastia é mais freqüente no sul do Japão do que no norte; contudo, há regiões em que, por assim dizer, ela não é conhecida.

Não há alusões à pederastia nos poemas homéricos nem em Hesíodo; contudo, mais tarde, a Grécia erige-a quase em instituição nacional.  Roma e outros lugares da Itália cedo conheceram-na; com o tempo, ela tornou-se-lhes mais freqüente. Em fins do século VI, diz-nos Políbio, muitos romanos pagavam um talento para possuir um belo rapaz. No Império, “era usual, nas famílias patrícias, de dar-se ao rapaz púbero um escravo da mesma idade como companheiro de leito, afim de que ele pudesse satisfazer os seus primeiros impulsos genesíacos”; houve casamentos formais entre homens, celebrados com toda a solenidade das bodas normais. Averigüa-se a existência de práticas homossexuais entre os celtas; elas não eram ignoradas, longe disto, dos antigos escandinavos, que adotavam toda uma nomenclatura relativa a elas. (Prosseguirá).

1 A pederastia grega consistia na relação de companheirismo e dedicação de um homem de até cerca de 25 anos por um adolescente, em que o mais velho chamava-se de erastes e o outro de erômenos. O erastes solicitava o erômenos à família deste e a relação entre ambos principiava mediante a anuência dela. Não havia penetração anal entre eles e sim o coito intercrural, em que o erômenos deitava-se de costas e o erastes friccionava o pênis entre as suas coxas.




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