Balneário Camboriú: Com sensibilidade, Maurício Santos quer ser o primeiro vereador gay assumido
O candidato a vereador de Balneário Camboriú pelo Partido Comunista do Brasil, PCdoB, Maurício Santos, tem 23 anos e nasceu em Pelotas – RS. Jornalista e estudante de Psicanálise, se mudou com a família aos 7 anos de idade para Santa Catarina. Atualmente ele trabalha como Assessor de Imprensa e Produtor Cultural e já foi o presidente jovem do Núcleo de Comunicação e Cultura de Santa Catarina, grupo voluntário que pratica a responsabilidade social e cultural através da mídia. Maurício colabora com a Lado A e assina a coluna Ao Seu Lado em nosso site.
A plataforma de trabalho do Maurício privilegia os jovens, a Educação e Cultura. Filho de professora, religioso e inteligente, Maurício acredita que “a Educação é a principal ferramenta de transformação social de nossa vida”.
Confira abaixo como ele respondeu as cinco perguntas padrão que a Lado A está fazendo aos candidatos gays no Sul.
Lado A - Como você se assumiu gay?
Logo cedo, após sofrer muito preconceito (na época não havia o termo bullyng) na escola, já me identificava gay - tive que buscar explicações científicas para isso, queria entender o porquê muitas crianças eram excluídas por base no que pareciam, e não necessariamente eram. As crianças sofrem muito, pois ainda não sabem o que são, só sabem que sofrem muito. Por isso me sinto preparado para tratar essas temáticas na Política: porque tive que estudar, pesquisar muito para entender os agressores e as vítimas. A violência maltrata a todos - a quem agride e quem é agredido. Por isso acredito tanto no poder da escola. A escola é palco social de transformação e conhecimento. Quero reforçar esse papel da escola. Ali o adolescente esta livre para aprender e crescer.
Lado A - Quais as suas principais propostas como candidato a vereador?
Minha principal bandeira é a Cultura. Acredito que a cultura é uma ferramenta de transformação social com base no conhecimento. Tenho 23 anos, sou o candidato mais jovem de minha chapa de vereadores e vereadoras, e sinto-me seguro para ser o vereador de todos - um síndico dos bairros, da cidade, do centro e de todas as lutas. Além da Cultura, priorizo a Educação Inclusiva, com foco na Educação Especial. Quero que minha cidade, Balneário Camboriú, seja referência no trato com quem é Especial. Precisamos encarar a deficiência física, intelectual, mental e emocional de maneira diferente: precisamos ver na deficiência uma porta aberta para a oportunidade de aprender mais, e ser mais sensível. Chegou a hora de pensarmos mais e respeitarmos mais os ditos diferentes.
Lado A - Gays devem votar em gays?
Gays devem votar em gays para serem mais protegidos. Estamos falando de políticas básicas, essenciais para a vida de qualquer ser humano: Saúde Pública, Educação, Cultura e Segurança Pública. Estou numa cidade onde temos muitos homossexuais assumidos, mas também temos lésbicas, transexuais, travestis e bissexuais. Quero ser o vereador porta voz de todos e todas aqueles que não se sentem incluídos nas Políticas Públicas atuais. Apresentei a 1ª Conferência LGBT feita em nossa cidade, no ano passado. Minutos antes de eu iniciar a apresentação recebi uma ligação de um jovem de 19 anos que me ligou chorando dizendo que não iria ao evento porque tinha medo de ser apedrejado ao sair da Câmara Municipal de Vereadores. Ali eu tive a certeza de que eu precisava fazer muito mais pela minha cidade. A dor de uma vítima é muito maior do que pensamos. O preconceito velado é ainda maior: esta no olhar, na intenção. Isso eu ainda sofro, mesmo sendo candidato. Uma amiga, colega de campanha, me disse que se eu fosse travesti não poderia me levar no grupo dela para pedir voto. Por isso preciso do voto de todos da sigla!
Lado A - Como deve atuar um vereador gay?
Deve atuar de maneira ampla. Quero ser um legislador que encara a cidade como um todo, que sabe lidar com todos os temas possíveis e até os considerados impossíveis. Todos terão direito e livre espaço durante nosso mandato, que será popular, amplo, democrático e participativo. Assim já é minha campanha: pobre de dinheiro, rica de ideias. Na nossa campanha, todos falam, opiniam e discutem. Não sou coordenador ou chefe, sou apenas quem faz as ideias chegarem lá - um mediador. Mas quem manda são as pessoas, o grupo. Minha candidatura nasceu de um desejo coletivo, de um sonho comum. Um vereador gay deve atuar sabendo dialogar com os héteros e com todos. Sinto-me capaz de saber ouvir e falar com todos os grupos. Porque respeito e compreendo todos eles.
Lado A - Qual a sua qualificação para ser vereador?
Acompanhei várias campanhas, municipais e estaduais. Aceitei ser candidato porque não sou iludido com a vida pública. Sou consciente das falhas, dos acertos e dos erros de muitos homens e mulheres que aí estão, mas quero ser a ponte entre povo e sociedade, quero ser o representante daqueles que entendem que a política ainda pode mais. Estudei Jornalismo, continuei estudando Psicopedagogia e Psicanálise, e escolhi seguir minha vida defendendo a Arte e a Cultura, sempre encontrando maneiras de fazer mais com pouco. Aprendi em casa, com minha mãe professora e meu pai comerciante que podem tirar tudo de nós, menos nossa Cultura e nossa Educação. E escolhi um partido que tem mais de 90 anos de história, o PCdoB, partido do Ministério dos Esportes (nos governo Lula e Dilma). Angela Albino, nossa candidata a prefeita em Florianópolis e Manuela D´Avila, nossa candidata em Porto Alegre, me ensinaram muito com suas doces e corajosas palavras. Temos que ter a mente a frente do tempo, o coração valente e os pés no chão. Minha maior qualificação é a sensibilidade, essa é minha maior força, porque com ela equilibro minha fé em Deus e meu conhecimento para fazer um mandato a serviço da população.
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