Roger Peyrefitte

Por Arthur Virmond de Lacerda Neto

Roger Peyrefitte nasceu na França, em 1907, e morreu em 2000. Estudou em colégios lazaristas e jesuítas; formou-se, em 1930, na Escola de Ciências Políticas e, em 1933, ingressou na carreira política, com a sua nomeação como secretário da embaixada da França em Atenas, cargo que lhe foi de pouca dura, porquanto o deixou em 1938. Dois anos depois, retirou-se da carreira diplomática, sob a suspeita de haver seduzido um efebo. Contudo, em 1943 foi reintegrado na diplomacia, de cujos serviços, todavia, desligou-se, definitivamente, em 1945; de então por diante, dedicou-se à carreira literária, em que produziu abundantemente: quarenta e uma obras, notadamente romances (vários dos quais se acham publicados no Brasil), de que se destacam “As amizades particulares” (1944), “As chaves de S. Pedro” (1972), “Alexandre, o Grande” (trilogia imensa; 1984).

Dos seus muitos livros, celebrizou-se o auto-biográfico “As amizades particulares”, vencedor, em 1945, do prêmio Renaudot, em que descreve a paixão de dois rapazes, um de doze e outro de quatorze anos de idade, em um internato católico em que se vigiavam severamente os comportamentos. 

Vinte anos após a publicação do romance, João Delannoy transformou-o em filme que, sem lhe conter, como seria natural, todas as particularidades, foi triunfalmente recebido no festival bienal de Veneza.

Durante as filmagens, Roger Peyrefitte conheceu Alain Felipe Malagnac d`Argent de Villèle, rapaz de doze anos, por quem se tomou de amores. Para financiar-lhe os negócios, Peyrefitte arruinou-se nos anos 80, ao ponto de leiloar as suas importantes coleções de livros raros, moedas e esculturas antigas.

Para redigir “As chaves de São Pedro” (de que há tradução brasileira), Peyrefitte recebeu informações de monsenhor Leão Gromier, cônego de S. Pedro, a quem escandalizavam as mazelas do Vaticano e cuja divulgação, julgava, contribuiria para a sua extinção. Neste livro, Peyrefitte narra a vivência de um clérigo em Roma e revela o funcionamento do Vaticano, a condescendência oficial com  desvios de comportamento dos seus membros, os interesses materiais relativos ao comércio de lembranças religiosas (como terços e medalhas), a presença da homossexualidade entre os papas, a que o personagem refere-se com naturalidade, como prática “de rigor” nos meios em que as mulheres são banidas (p. 175 da edição brasileira, editora Record, 1968).

Peyrefitte provocou escândalo em 1976, com a revelação da homossexualidade do papa Paulo VI, ao indignar-se com uma sua prédica, em que ele censurava a homossexualidade. Segundo o romancista, quando arcebispo de Milão, Paulo VI era conhecido pela sua preferência por rapazes, dos quais manteve um conhecido ator como seu amante por anos a fio. Em 2.000, o padre José Montero, da paróquia de Valverde do Caminho (Huelva, Espanha) assumiu a sua homoafetividade e confirmou a de Paulo VI.

Por esta ligação acede-se ao filme “As amizades particulares”, confira (em francês):

 
 
 

Tags: 




Comentar

Conteúdo relacionado