Desejo e Dinheiro: Você sabe o que é Custo de Oportunidade?

Por Alecks Spake
 
Uma das coisas mais legais de se trabalhar com Contabilidade é toda a base que você agrega por conhecer o dinheiro de uma forma um tanto quanto íntima. Em outras palavras, quem mexe com finanças tem como poucos um tato quase que extrassensorial para saber quando alguém esta cobrando caro (de verdade) por um serviço ou por um produto, coisa essa que é muito rara nos dias de hoje e que passa despercebida pelos olhares menos atentos. Um excelente exemplo deste tipo de feeling é o chamado Custo de Oportunidade, que permeia todo e qualquer bem existente disponível para aquisição, seja uma peça de roupa, uma mensalidade de academia, uma assessoria jurídica, enfim, qualquer tipo de bem negociável. Ele consiste em uma simples retórica: “Quanto você estaria disposto a pagar por isto?”.
 
Vamos pegar, por exemplo, uma atividade que todos tenhamos acesso: Corte de cabelo. Porque é que umas pessoas pagam R$ 180,00 num corte enquanto outras pagam R$ 15,00 ou R$ 20,00, sendo que praticamente se usam as mesmas coisas para um ou outro, independente do lugar? Vamos combinar também que o tempo médio para cortar o cabelo não leva ai muito tempo (em geral um mês, se for igual ao colunista que aqui vos escreve), então não existe aquela justificativa de que “Ah, é uma vez na vida” porque não cola. O que acontece é que, se há oferta de mercado para um corte de duzentos reais, então significa que existem pessoas dispostas a pagar por este serviço a este preço. A pergunta é: Por quê?
 
Se você pensou “Ah, porque tem dinheiro e não sabe como gastar” então você pensou errado. As pessoas pagam mais caro por coisas assim por uma razão até involuntária: A Socialização.
 
A ideia é simples, mas envolve varias complexidades: Primeiro, a escassez do bem/serviço. Se existe um lugar em que a oferta é grande, o valor por esse bem/serviço diminui. A segunda é a concorrência: existem pessoas que fazem o serviço ou melhor, ou mais barato, ou mais rápido e você precisa se adequar a estas características para se destacar no mercado e, por último, o bendito Custo de Oportunidade: o  bem/serviço vale mais que os outros porque é melhor em “N” aspectos.
 
Voltando ao corte de cabelo, se quiséssemos, poderíamos ir todos no SENAI cortar o cabelo gratuitamente com os aprendizes do curso técnico, se levássemos em conta que é só querermos. Mas, mesmo sendo de graça, a maioria prefere pagar um pouco a mais para ter um corte com alguém que já conhece, que já sabe como a pessoa gosta e que já possui alguma experiência (vai que, né?). Outras preferem pagar ainda mais pelo corte por causa nome do cabeleireiro (já que, para muitos, o corte de cabelo é uma arte), por causa do atendimento personalizado, por causa do reconhecimento que isso traz para o ego, enfim. E tem outras pessoas ainda que pagam ainda mais para, enquanto corta o cabelo, tomar champagne ouvindo a música que gosta e recebendo massagem nos pés. Parece bom não?
 
 Daí agora você pode olhar aquelas compras de obras de artes que mais parecem algo que a pessoa comeu e não lhe fez bem custando algumas dezenas de dólares e entender que elas custam aquilo porque EXISTEM pessoas dispostas a comprá-las. Entende que tem gente que paga quatrocentos reais na mensalidade de academia porque ela quer estar rodeada de gente com o mesmo padrão financeiro (e, vamos combinar, que se ela paga quatrocentos reais para frequentar uma academia, é muito improvável que ela falte com a mesma assiduidade que alguém que fez um planinho de sessenta reais por meio período, né?). Entende que existem pessoas que gastam mil reais numa taça de bebida apenas para se sentir bem, e não para se mostrar a outras pessoas seu poder financeiro.
 
Olhe para você e pense nos mini absurdos que você comete para ver o show da sua diva interior em São Paulo ou em outra cidade qualquer e que VOCÊ PAGA o valor que for sem se importar muito com a fatura no mês que vem, que compra todos os CDs, DVDs e Blue-Rays que saem e não se importa em pagar um pouco mais caro para trazê-los com exclusividade de algum lugar distante. A verdade é que todos nós somos condicionados e estamos dispostos a gastar uma quantidade de dinheiro a mais por algo que realmente nos faça bem (seja na casa dos centavos, seja na casa dos milhares) afinal, qual a diferença quando se trata do nosso bem estar, não é mesmo? 
 
Alex Spake é contador, consultor financeiro e diretor executivo da Ideas for the Future Consultoria Empresarial
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