Algumas diferenças entre Pobres e Ricos

Nós que trabalhamos com dinheiro, inevitavelmente, nos deparamos com pessoas que tem uma melhor ou pior condição financeira, mas confesso que ando a cada dia mais estarrecido com o que vejo como as ditas pessoas mais “ricas” fazem para ostentar o seu poder econômico.

Posso atestar que dinheiro não compra tudo: o dinheiro pode pagar a faculdade mas não compra a educação, o dinheiro pode financiar as artes mas não compra o talento, o dinheiro pode adquirir a ostentação mas não compra a classe. Neste sentido, algumas das pessoas mais ricas que conheço não andam com o carro do ano, não se vestem com uma camiseta que custou três dígitos de reais e não moram num suntuoso flat no Batel ou outro bairro “chique”.

Vem existindo uma profunda inversão de valores da maioria das pessoas, que passam a reconhecer o sucesso das outras através do número e tamanho das posses e não pela capacidade de agregação que esta mesma pessoa influi sobre os demais. Não sou hipócrita de dizer que vestir uma roupa que ninguém nunca tocou não é uma das sensações mais prazerosas do mundo, mas questiono aqui se o fato de ter essas experiências mais ou menos vezes ao longo de um período faz de alguém ser melhor do que outra pessoa.

Alguém pode dizer “Ah, mas eu trabalhei tanto para poder comprar minha pólo do jacarezinho verde”, pois eu lhe digo que você pagou caro só pelo jacarezinho bordado nela, afinal, existem inúmeras outras lojas com malhas melhores e mais baratas do que esta. Não estou desmerecendo a marca, pois sei quanto tempo se leva para criar uma reputação num mercado tão concorrido como o da moda, pelo contrário, até incentivo que haja esta competição entre qualidade versus tradição, o que exponho aqui é que o fato de comprar algo mais caro não te faz melhor do que ninguém.

Algumas pessoas estranham quando digo que na maioria das vezes vou de ônibus ou mesmo a pé para o escritório, mas moro numa das cidades com a melhor infraestrutura de transporte do país (quem morou em outras cidades sabe do que falo), há um ponto de ônibus praticamente na frente de onde moro, não preciso pagar Estar, nem estacionamento, nem flanelinha, não pego transito, economizo com a gasolina e gasto um pouco mais de cem reais para ir e voltar em um mês (coisa que eu gastaria em estacionamento em uma semana).

Para finalizar, pobreza e riqueza são estados de espírito e dificilmente alguém consegue mudar isso, o que é bem diferente de estar com situação financeira deficitária ou superavitária. Partindo disso, quem fala que quem nasce pobre morre pobre está coberto de razão.

* Alex Spake é contador e consultor financeiro.

 

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