Caso Daniel Zamudio: Quatro são condenados pelo crime homofóbico que marcou o Chile

Nesta quinta feira, quarto acusados foram condenados em assassinato em primeiro grau com agravantes pela morte de Daniel Zamudio em 2012. As penas serão anunciadas no dia 28 de Outubro.

Em Março de 2012, a capital do Chile amanheceu atordoada com um crime homofóbico chocante que levou o país a criar uma lei contra crimes de ódio e preconceito contra homossexuais com o nome da vítima. Daniel Zamudio, 24 anos, foi encontrado em um parque de Santiago com sinais de tortura, uma perna quebrada e à beira da morte, com suásticas entalhadas em seu corpo. Após 22 dias entre a vida e a morte, o jovem faleceu no hospital.

As investigações mostraram que o crime foi cometido por um grupo de amigos que apesar de não terem nada de arianos gostavam da ideologia nazista. A crueldade fora real: Zamudio foi queimado com cigarros, apedrejado, atacado com garrafas, teve uma das orelhas cortada, a perna dilacerada. Patricio Ahumada Garay, Alejandro Angulo Tapia, Raul Lopez Fuentes e Fabian Mora Mora foram presos dias depois, após o crime ganhar as manchetes internacionais.

"A Justiça chilena considera este um dos crimes mais graves e prevê a pena máxima, que é prisão perpétua qualificada, ou seja, 40 anos de prisão efetiva antes da tentativa de redução da pena", disse Jaime Silva, advogado da família Zamudio na época. É esta a condenação que a família espera. Ao anunciar a condenação o juiz descreveu o crime como de "extrema crueldade” e “total desrespeito a vida humana”.

Há um antes e depois nas leis do país depois da morte do belo  jovem de classe média que reverteu a opinião pública. O projeto de lei contra a homofobia, parado no país por 7 anos, caminhou rapidamente para a aprovação no ano passado depois do crime, com apoio do presidente Sebastian Piñera.

A porta voz do presidente comentou a condenação: “Nada pode mudar a dor enorme sofrida pelos pais de Daniel, mas não há dúvidas que hoje alguma paz finalmente chegou até seus corações. A paz que vem junto da Justiça”.
 

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