Sobre a importância do ativismo gay em um mundo homofóbico

Por Paulo Cogo

O que é ativismo? É a ação de lutar por uma causa legítima na intenção de questionar o instituído e contribuir com a mudança das mentalidades, auxiliando na construção de um mundo melhor, mais justo, humano e menos desigual. No mundo contemporâneo, a causa gay é uma das mais legítimas, uma vez que a maioria dos estudos científicos que se ocupam do tema indica que os preconceitos de gênero e sexual ainda são grandes na maior parte do globo, ocasionando homofobia e violência física e psíquica contra os gays. Dessa forma, a luta pelo combate à homofobia e todas as formas de violência física e psicológica voltadas aos integrantes da comunidade gay tornou-se um imperativo categórico, especialmente para aqueles gays que já sofreram alguma forma de abuso ou discriminação de gênero ou sexual. 
 
A luta pelos direitos dos gays, pelo combate à homofobia em todas as suas variantes e pela criminalização da homofobia é hoje um dever moral de quem é gay e não mais uma opção, pois o silêncio diante da homofobia e de qualquer outra forma de desrespeito ou violência contra os indivíduos homossexuais é uma forma de consentir com o atual estado de discriminação que tem gerado tanto sofrimento e, até mesmo, levado alguns gays a tirar a própria vida. Quando se é gay, ou seja, quando se vive essa condição, que é uma forma de orientação do desejo tão legítima quanto todas as outras, uma vez que as manifestações do desejo sexual são muito amplas e variadas, lutar diariamente pela construção de uma identidade homossexual positiva e assertiva torna-se uma necessidade e um dever moral na construção de uma sociedade mais plural e igualitária, mais humana e inclusiva.  E é essa a importância do ativismo gay, ou seja, trazer a questão gay para o debate público, para dentro de cada escola e família, e buscar desconstruir todas as formas distorcidas do que é entendido pela massa como identidade gay e que têm reduzido o indivíduo homossexual a uma caricatura e a um estereótipo de sujeito, normalmente retratado como afeminado, pouco inteligente e de caráter duvidoso (vide a maior parte dos personagens gays clássicos do cinema, literatura e televisão).

Na medida em que um número cada vez maior de indivíduos gays bem informados se engajarem na luta pela causa gay as resistências ao debate sobre essa questão será cada vez menor e, quem sabe, mais rápido do que estamos vendo hoje, o preconceito contra a homossexualidade diminua, ou melhor ainda, acabe de vez em nosso planeta. Não custa sonhar com esse dia, pois o sonho é o grande motor de qualquer mudança social.

SOBRE O AUTOR: Paulo Cogo é Psicólogo Especialista em Psicologia Transpessoal pela UNIPAZ, atuando nas áreas clínica e organizacional, dentro do enfoque da Psicologia Afirmativa; Doutor e Mestre em Sociologia pela UFRGS; Professor e pesquisador dos cursos de Psicologia, Comunicação Social e Design na UniRitter; Personal Coach nas áreas de planejamento e gestão de carreira.
 

Tags: 




Comentar

Conteúdo relacionado