Ser humano no Brasil é foda...

Resolvi dar um tempo nos dramas amorosos para focar em um drama maior. Terminei de ler, finalmente, a revista TRIP, depois de ter lido a TPM. Ambas interligadas no mês de Abril para discutir sobre o racismo no país.

Achava que o racismo existia, mas não acreditava que era algo tão latente. Ingênuo da minha parte. Somos o país que mais importou escravos nas Américas: foram 4,9 milhões de africanos, contra 389 mil na América do Norte. E fomos os últimos a abolir a escravidão. 

Alguns estudiosos dizem que talvez porque a abolição aqui foi dada sem uma luta sangrenta, muitos negros acabaram se sentindo inferiores. Não houve aquela conquista do tipo “Sou negro e mereço ser livre, mereço respeito”. A abolição foi dada meio assim “É liberdade o que você quer? Então toma, some”.

Os negros são 51% da nossa sociedade. Parece mentira. Eu ando pelas ruas aqui de São Paulo e não vejo mais negros do que brancos, amarelos e vermelhos...

Não há muitos representantes negros na política, na TV, nas redações de jornais ou revistas também. No meu local de trabalho não há nenhum.
Os negros vivem em guetos. Eles são excluídos da sociedade. Alguns dos relatos nas páginas dessas revistas me fizeram ficar de cabelo em pé, e não foi porque tentei fazer um penteado Black Power... Quase 130 anos após a abolição da escravidão, continuamos achando que um negro é inferior por conta da cor da pele. E o pior: parte dos negros também acredita nisso.

Umas das consequências é que pessoas negras têm tratamento diferente (menos respeitoso) em restaurantes, hotéis etc... No mercado de trabalho, o homem negro recebe 52% do salário de um homem branco e a mulher negra, apenas 38% desse salário.

Como mudar isso? Acho que precisamos de alguém forte, eloquente e convincente o bastante para falar com multidões. Para colocar juízo e sensibilidade em massas. O mais triste é perceber que não existe nenhum Mandela entre nós. E que o povo brasileiro prefere elevar pessoas como o Luciano Huck. Esse ser que resolveu pegar onda num protesto contra o racismo para vender camisetas...

O que sei é que quando crescemos ouvindo coisas como “ser gay é errado”, “Deus não aceita homossexuais” etc... Viramos adultos complexados e negamos o que somos e sentimos. 

Imagine então como os negros crescem em nosso país. Muitos negam até o tom de sua pele, em vez de se definirem como negros se dizem “morenos queimados de sol”, “cafés com leite” etc...

O racismo é uma coisa tão sem cabimento. Para começar, a nomenclatura está equivocada. Não deveria nem existir essa palavra porque somos todos de uma raça só, somos da raça humana. Ser negro é ser parte de uma etnia.

Se você é de etnia negra no Brasil, não deve JAMAIS se sentir inferior por sua cor de pele ser diferente do que a da minoria do país em que você vive.  
O que mais me entristece é que, vivo num país onde o básico não é cumprido. Se não há respeito entre as etnias, como posso lutar para que haja respeito entre os gêneros e as orientações sexuais? 
 
Ser negro no Brasil é foda sim, ser mulher, ser gay, ser lésbica, ser transexual, ser pobre, ser trabalhador, ser tudo menos rico e influente é foda também.
 
Leandro escreve para o doqueosgaysgostam.com e quer erradicar o preconceito, começando por si mesmo. Confessa que já atravessou a rua de noite ao cruzar com um negro por medo de ser assaltado, mas a única vez em que foi assaltado de fato foi por um branco

 

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