O Casamento Civil Igualitário

Acreditamos que respeito e tolerância são comportamentos bem diferentes. O respeito é um direito de todos enquanto cidadãos, considerando que perante a lei somos todos iguais e isso é abordado na Constituição Brasileira, que em seu artigo 3, parágrafo IV diz: “promover o bem de todos, sem discriminação de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

É constatado cientificamente que pessoas de outras orientações sexuais que não se enquadram na heteronormatividade social não influenciam a sexualidade alheia, pois as pessoas em sua diversidade possuem suas respectivas singularidades, autonomia, desejos e comportamentos além de sua própria orientação sexual desde o nascimento.

Considerando que somos todos iguais e que nos relacionamos, dedicamos à vida sentimental como qualquer outro casal, que o amor e todas as formas de amar reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal devem ter seus direitos garantidos, que temos as mesmas necessidades que qualquer outro casal e por isso necessitamos dos mesmos direitos garantidos pelo casamento igualitário. E não esquecendo o fator mais importante: “que também temos famílias que nos repassam os valores familiares e não nascemos de chocadeiras ou tubos de ensaios”.

Considerar que um casal gay ou lésbico influenciaria a sexualidade e o crescimento de uma criança adotada não é uma justificativa adequada, considerando que famílias tradicionais geram filhos que futuramente se identificam como a homossexualidade (gays e lésbicas) e transgêneros (travestis e transexuais).

O que influencia diretamente a vida desta criança adotada é o preconceito e a ignorância por parte de alguns meios de comunicação, educadores, formadores de opinião e representantes políticos que ainda persistem em considerar as diversidades de gênero um tabu e que ainda reproduzem para a população geral que orientação sexual seria uma “escolha" ou "opção".

O que influenciará diretamente na vida desta criança ou destes filhos das famílias alternativas é o preconceito e a criminalização social.
 
Podemos notar que muitos representantes (principalmente os fundamentalistas e considerados defensores da família tradicional) usam ainda os termos “opção ou escolha” para afirmar suas opiniões pessoais, o que é considerado incorreto. Usar o termo “homossexualismo” para classificar como doença não contempla a orientação da OMS (Organização Mundial da Saúde), que retirou a homossexualidade da lista de patologias no dia 17 de maio de 1990. Por esse motivo, a homossexualidade não se “pega”, não se “passa” e muito menos se “cura”.

Lembrando que famílias alternativas são aquelas que não se enquadram dentro dos padrões da família tradicional, como pais homossexuais, mães lésbicas, mães solteiras, pais solteiros, pais separados, etc.

Somente com o exercício da Cidadania, a união na luta do movimento LGBTTT para garantir os direitos básicos, a participação do Ministério da Educação através da "educação sexual" e elaboração de um plan de educação adequado que consiga distinguir a diferença entre os termos “educação sexual” e "sexualização".
 
Somente através da parceria do Ministério da Educação e o Ministério da Saúde, conseguiremos combater a falta de esclarecimento da sociedade, o aumento da gravidez na adolescência, os conflitos de orientações sexuais na fase da adolescência e a necessidade de orientação para a prevenção do HIV/AIDS/HEPATITES e outras DSTs nesta faixa etária, reconhecendo a iniciação sexual precoce e desinformada na adolescência, conseguiremos avançar no combate às vulnerabilidades de nossos jovens, o bullying que causa a evasão escolar de nossa população LGBTTT e a exclusão social.
 
Todos nós temos direito à felicidade, independentemente de quem amamos. Amar não mata, não é crime. O que não podemos explicar para nossos filhos é o preconceito, o ódio, porque isso oprime, mata, e faz mal. Nada deve parecer impossível de transformar e de revolucionar.
 
Mel Campus (5055) é de Londrina - PR e candidata a deputada federal.

 

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