A barbárie da morte do homem que ousou defender uma travesti no Metrô de São Paulo no dia de Natal

Não é Aleppo, é Brasil. Não é qualquer cidade, é São Paulo, a maior metrópole da América do Sul. Não foi em um beco, foi em plena estação do Metrô. Há algo errado, muito errado. Certo estava o homem, o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas, 54 anos, que foi defender uma travesti perseguida por dois homens aos berros de “vamos matar”. Ele acabou morto no dia de Natal. O crime ocorreu por volta das 20h deste domingo, dia 25.
 
Socos e pontapés incessantes foram dados na estação Pedro II, no Centro de São Paulo, quando o homem se colocou no caminho dos pitboys, depois que eles e a travesti entraram na estação sem pagar. Tudo filmado, registrado. As pessoas passam e não fazem nada. Não há seguranças. Os rapazes estão bem vestidos e batem sem parar no homem caído. Até parecem treinados para a violência, para o ódio. Raissa, a travesti, conseguiu fugir e a polícia já identificou os rapazes: Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Nascimento Martins, que são primos, e estão presos.
 
Que doutrina de ódio é esta que faz as pessoas matarem umas as outras? Seja em Aleppo, ou em São Paulo, ou em toda morte por ódio em qualquer lugar do mundo, a intolerância mostra que não estamos a salvo em nenhum instante, em nenhum local do planeta. Os valores estão equivocados. A vida alheia não tem mais valor. Mata-se em um roubo, por ser diferente, por estar no caminho. 
 
Ele morreu por estar no lugar errado e na hora errada, alguns falarão, mas ele estava no local trabalho, onde estava todos os dias nos últimos 30 anos, e fazendo o certo, defendendo uma pessoa assustada, o que muitos ainda dirão que foi pelo seu heroísmo que ele morreu. Errado: ele foi morto porque há pessoas que não podem viver em sociedade, em liberdade. Ele foi morto porque a insegurança e o ódio estão espalhados e todos fingem que não, como as pessoas que passam calmamente no vídeo sem se envolver. Ele foi morto porque homens se portam como animais raivosos, doentes, e os bons se calam, de medo. 
 
 

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