Dinamarca retira a transexualidade da lista de distúrbios mentais

A Dinamarca é mais uma vez o centro das atenções da comunidade trans. Depois do filme “A Garota Dinamarquesa” contar a história de Lili Elbe, agora a Dinamarca é novamente pioneira ao retirar a transexualidade da lista de doenças mentais no país. A decisão foi aprovada em Maio de 2016, mas só entrou em vigor no dia 1º de Janeiro de 2017. Agora, o país usará um código exclusivo para tratar as questões de identidade de gênero.

No mundo inteiro, a transexualidade ainda é estudada pelos psiquiatras como uma disforia de gênero. Ainda se classifica a condição como um transtorno mental que precisa de diagnóstico e tratamento. Segundo os ativistas LGBTs do país, a antiga forma de se falar sobre a transexualidade causava problemas para conseguir empregos, por exemplo. 

A proposta foi aprovada pela comissão de saúde do Parlamento da Dinamarca após receber o apoio de praticamente todas as forças partidárias, da Anistia Internacional e de dezenas de instituições internacionais de defesa dos direitos LGBTs. "Os transexuais na Dinamarca sentem como um estigma o facto de estarem ligados a um diagnóstico de doença mental dentro dos distúrbios de comportamento", confirmou Flemming Møller Mortensen, um dos parlamentares da comissão.

A decisão é moderna se comparado aos códigos internacionais de doença, como o CID (Classificação Internacional de Doenças), da Organização Mundial da Saúde, e o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria). O primeiro, ainda se refere ao termo “transexualismo” como uma doença mental. O segundo, traz a condição de disforia de gênero, mas ainda sugere a questão de diagnóstico e tratamento, o que remete à doença. 

Será que algum dia o Brasil vai caminhar para essa evolução? A mudança facilitaria, por exemplo, o processo de cirurgia para readequação sexual, que leva de quatro a dez anos no Brasil, assim como o processo de mudança de gênero em documentos oficiais. 

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