Curitiba: assassino é condenado a 32 anos de prisão por crime envolvendo homofobia e intolerância religiosa

Em fevereiro de 2009, em Curitiba, no bairro Portão, Lourinaldo Nunes dos Santos, 32 anos, mais conhecido como Pai Adoya e outro homem não identificado oficialmente, 30 anos, conhecido como Babalorixa Preta foram mortos a facadas. Os homicídios ocorreram na casa de Lourinaldo, que era pai de santo. O assassino foi levado pelas vítimas para um encontro sexual e em determinado momento passou a agredir o pai de santo e depois a esfaqueá-lo, totalizando 18 ferimentos. O amigo do pai de santo tentou impedir o agressor, porém também foi golpeado a facadas e morreu. Na manhã seguinte, duas parentes de Lourinaldo encontraram os corpos e o assassino dormindo no local, o qual as ameaçou com a faca e depois fugiu com pertences das vítimas.

À época do crime, a polícia havia suspeitado de dois garotos de programa contratados à noite na Praça Tiradentes. A história divulgada pela Delegacia de Homicídios no início da investigação tinha como motivo do crime o baixo valor oferecido aos suspeitos pelo serviço prestado, R$10. O suspeito que haveria dormido na casa era Lindomar Narciso, o qual foi capturado pela polícia a poucos metros da cena do crime. O outro suspeito foi dado como foragido.

Lindomar já estava preso, condenado a 17 anos e nove meses de prisão, devido a um outro assasinato, em abril de 2015, de uma mulher que atuava como prostituta no Centro da cidade. Karina Rodrigues Prado, 30 anos, foi encontrada nua e estrangulada debaixo da cama de um quarto de hotel em Curitiba. Lindomar Narciso, na época com 24 anos, havia entrado com a mulher no local por volta de meia noite e deixou o quarto após uma hora, alegando tê-la deixado com vida. O corpo da vítima foi encontrado na manhã seguinte pela camareira do hotel, sendo que mais pessoas utilizaram aquele mesmo quarto naquela noite. O assassino respondia em liberdade e não tardou em cometer novo homicídio.

Em 10 de agosto deste ano, Lindomar foi considerado responsável pelos crimes da morte dos dois homossexuais e foi condenado a 32 anos de prisão. O Ministério Público do Paraná (MPPR), encarregado da acusação, sustentou a tese que o crime foi cometido por homofobia e também por intolerância religiosa. O laudo psiquiátrico apresentado pelo MPPR apontou que o acusado possui perfil higienista e seletivo, exemplificado, por exemplo, nas vezes em que tentou desqualificar as vítimas por serem homossexuais e “macumbeiras”. O réu foi condenado a 24 anos de prisão pelos homicídos e a 8 anos pelo roubo dos pertences. 

(T.S.)

 
 

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