Homofobia: estudante é agredido na saída de colégio em Maringá e tem rosto dilacerado

Mais um caso de homofobia entra para as alarmantes estatísticas sobre a violência contra a população LGBT no Brasil. Em Maringá, Norte do Paraná, um estudante de 14 anos foi brutalmente agredido enquanto aguardava por seu transporte em uma parada de ônibus. O adolescente teve ferimentos graves e terá que passar por cirurgias para reconstrução da face.
 
Segundo informações da polícia, o adolescente aguardava o ônibus após sair da escola, na tarde de quinta-feira dia 09 de agosto. Os dois jovens encurralaram a vítima e após provocar sua queda deferiram chutes em seu rosto. Os dois agressores foram indentificados, um deles é maior de idade e o outro também era aluno do colégio estadual Instituto de Educação de Maringá (IEEM), assim como a vítima, e já havia agredido o adolescente antes: “Foi só empurrão e xingamento”, declarou a mãe da vítima sobre o primeiro ataque. Por enquanto, nenhum deles foi preso.
 
Em entrevista ao jornal da RPC, Rede Paranaense de Comunicação, a mãe do adolescente, também muito abalada, declarou que já havia notificado o colégio sobre as frequentes perseguições ao filho e que a insitituição não passou essas informações ao conselho tutelar, motivo pelo qual o estabelecimento de ensino foi notificado. O conselheiro tutelar Carlos Bonfim, responsável pelo caso, não tem dúvidas: "É uma situação que choca. Foi um caso de homofobia", afirmou. A mãe relatou ainda, que foi orientada pelo colégio a registrar um Boletim de Ocorrência e que a escola absteu-se de prestar maiores esclarecimentos, negligenciando o caso.
 
O Conselho Tutelar irá questionar o colégio sobre o motivo de não ter protegido o garoto, uma vez que a obrigação da escola é de junto com a família, buscar alternativas para distanciar o adolescente de qualquer violência ou coação. "Vamos pedir informações à escola para saber por que não tomaram providências antes disso acontecer, como, por exemplo, transferir o aluno para outra escola já que sabiam das perseguições, ou mesmo ter chamado o Conselho Tutelar", afirmou o conselheiro Carlos Bonfim. 
 
A diretora do colégio, Neide Gomes Clemente, afirmou que o colégio mantém os registros dos alunos atualizados, assim como visitas dos pais e denúncias. Segundo Neide, a mãe da vítima não notificou o colégio sobre as perseguições. "Quando o Conselho vier nos procurar, vamos discutir, porque, nos registros que temos, não há essa informação. Não houve omissão. Quando sabemos de alguma briga que vai acontecer, acionamos a patrulha escolar, e, nesse caso, não fomos informados de algo que demandasse um acompanhamento melhor ou uma medida protetiva", explica a diretora. 
 
A vítima foi no Hospital Universitário (HU) de Maringá, onde passou por cirurgia de reconstrução da face. Na página do colégio no Facebook, vários internautas protestam quanto à negligência do colégio com relação ao caso do garoto, uma vez que já tinham sido avisados sobre as agressões. 
 
Só em 2016, foram registradas 343 mortes por LGBTfobia no Brasil, isto é, a cada 25 horas um LGBT é assassinado, o que elencou o Brasil ao sangrento posto de campeão mundial de crimes LGBTfóbicos. Considerando as estatísticas de violência, tais como o caso do adolescente de Maringá, torna-se urgente a discussão sobre gênero e sexualidade dentro das escolas, uma vez que estes são locais de formação intelectual, moral e cultural que muito podem contribuir para diminuição da violência no futuro. Em caso de agressões por identidade de gênero ou orientação sexual, é urgente a denúncia aos órgãos competentes e à Rede de Direitos Humanos, disque 100. 

 

Categoria: 

Tags: 




Comentar

Conteúdo relacionado