Projeto “Escola Sem Partido” quer banir discussão de orientação sexual e de gênero e causa conflito em Curitiba

O projeto “Escola Sem Partido” voltou a criar polêmica na terça-feira da semana passada (15/08) em Curitiba. Enquanto o projeto era apresentado aos vereadores dentro da Câmara, grupos se enfrentavam do lado de fora. O texto, que já está em sua 3ª versão, sempre teve como representantes os evangélicos. Em 2014, com autoria de Carla Pimentel (PSC), que é pastora, o projeto fracassou na própria Câmara. Em 2015, o projeto foi repaginado por 13 deputados, a maioria evangélicos, e foi apresentado a Assembleia, porém também foi barrado. Agora, o projeto chegou de cara nova através de Thiago Ferro (PSDB), Osias Moraes (PRB) e Ezequias Barros (PRP). Segundo Osias: “não é um projeto religioso, nós, aliás, nem temos bancada evangélica. É um projeto dos vereadores e que alguns bons professores, estão apoiando”.
 
Ainda de acordo com o vereador Osias, o novo texto do projeto “Escola Sem Partido” tem como objetivo esclarecer pais e alunos dos seus direitos, além de impedir a doutrinação política em salas de aula. “Alguns professores insistem em doutrinar as crianças, seja muito para a direita, ou muito para a esquerda. É muito mais comum que seja para a esquerda... quando o professor for tratar de política, vai ter que mostrar esquerda e direita, não pode dar a sua opinião” declarou o vereador. Thiago Ferro, outro autor do projeto relata que “a escola não pode ter doutrinação, influência de um lado ou outro, buscar a imparcialidade. A escola, ao ensinar alguns temas, aí eu cito o tripé principal do projeto: política, religião e sexualidade, precisa dar todas as possibilidades para os alunos escolherem.”
 
Opinião contrária tem a vereador professora Josete (PT): “Entendo que ele é um projeto que amordaça os alunos e os profissionais da educação. Nós já temos uma regulamentação em relação ao conteúdo, assim como temos o poder de cátedra enquanto profissionais da educação. Trata os profissionais como se fossem completamente irresponsáveis.”
 
Ao contrário de projetos já apresentados pelo Brasil, a atual versão curitibana não prevê punições aos professores, apenas a fixação de cartazes nas escolas que estimulariam as denúncias. Alguns trechos do projeto afirmam que “o professor não...incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas” e que o poder público não se envolverá com a orientação sexual dos alunos, não permitindo qualquer prática capaz de comprometer o desenvolvimento de sua personalidade que deve estar em harmonia com a respectiva identidade biológica de sexo, proibindo, em especial, a aplicação da teoria ou ideologia de gênero.
 
Com estas e outras propostas polêmicas, aproximadamente 100 pessoas se reuniram em frente à Câmara para protestar a favor e contra o projeto. Os apoiadores do projeto foram Movimento Brasil Livre (MBL) e Acampamento Lava Jato, enquanto estudantes de colégios públicos e o movimento CBW Resiste manifestaram-se contra. Os dois grupos trocaram xingamentos e houve um princípio de confusão quando algumas bandeiras foram queimadas. A Polícia Militar identificou três pessoas que assinaram termos circunstanciados no próprio local: um menor e um professor de 44 anos, pelo movimento contrário, e a favor, um professor da rede municipal (o qual teria passado a mão nos seios de duas menores durante o tumulto).
 
(T.S)
 

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