Representatividade: Secretária de Estado de Portugal assume homossexualidade

Graça Fonseca, 46, ministra da Modernização Administrativa de Portugal, assumiu sua homossexualidade em entrevista publicada no dia 22 de agosto no jornal Diário de Noticias. Integrante de um partido que a mesma considera receptivo com relação às questões sociais (PSD), Graça discorreu sobre vários assuntos relacionados às minorias. No entanto, questionada sobre aspectos representativos, a ministra reconheceu a falta de integrantes negros e declaradamente homossexuais tanto em seu partido quanto na esfera política portuguesa em geral e atribui esse fenômeno à lentidão no processo social de aceitação e reconhecimento das minorias. 
 
Apesar de sua declaração sobre homossexualidade ser algo pessoal, Graça considera importante salientar, enquanto autoridade política, sua sexualidade de um ponto de vista representativo e empoderador. Com vasta carreira política construída ao longo de 17 anos, a secretária de Estado pouco ou nunca se expôs em entrevistas longas ou que divulgassem sua vida pessoal, contudo, compreende que “as pessoas afirmarem publicamente que são homossexuais, não há muito quem o tenha feito. E acho que isso é importante”.
 
Por trás da discrição com que leva sua vida longe dos holofotes, Graça conhece muito bem os desdobramentos sociais e políticos e, como mestre em sociologia e com a influência de seu cargo, pretende encorajar outras pessoas a afirmarem suas identidades e assim conquistarem cada vez mais os espaços sociais que lhe são negados, uma vez que “as pessoas perceberem que há um seu semelhante, que não odeiam, que é homossexual”  diminui o preconceito, afirma a ministra ao Diário de Noticias. 
 
Ao abrir mão de sua privacidade e expor mais detalhes de sua vida com declaração inédita sobre sua sexualidade, Graça contribui para que as diferenças tais como a homossexualidade sejam vistas de forma mais humana e comum, promovendo o debate dentro do âmbito político, no sentido de gerar políticas públicas, leis de conscientização e proteção das minorias, que, graças ao seu exemplo, teriam maior aceitação social.  Por outro lado, a ministra reitera que “as leis não bastam para mudar mentalidades, não bastam para mudar a forma como olho para o outro, que aquilo que muda a forma como olhamos para os fenômenos tem muito que ver com empatia”, o que agrega em sua atitude de diluir a ideia negativa de homossexualidade, pois a orientação sexual de cada um não altera suas atividades e atitudes enquanto ser humano, sendo “indiferente se estou com um homem ou com uma mulher”, declarou. 

(R.L.)
 

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