Transexual gay de "A Força do Querer" pode ficar grávido?

Com as primeiras fotos de Carol Duarte com cabelos curtos lisos e figurino masculino, da personagem Ivana surge o Ivan, rapaz transexual da trama de "A Força do Quere", de Glória Perez. O site Observatório da Imprensa, do Uol, chegou a afirmar que uma surpresa estaria prevista na trajetória de Ivan: uma gravidez após o retorno à trama de Cláudio (Gabriel Stauffer). Mas o próprio site editou a nota e agora afirma ser apenas uma "possibilidade". E de fato é.

Ser transexual não é a mesma coisa que ser gay. A maioria das pessoas se sente confortável com o fato de ter nascido do sexo feminino ou masculino, nestes casos a identidade de gênero dos indivíduos corresponde com a anatomia e as chamamos de cisgênero. Já as pessoas trans, quando o corpo não combina com o gênero com a qual são identificados, são pessoas que nasceram menina e se reconhecem como menino, ou nasceram menino e se percebem menina, conhecidas como transexuais. Ou chamamos de travestis aquelas que também não se identificam com seu gênero de nascimento e assumem os papeis do outro gênero mas não completamente, sobretudo no sexo.

Essas pessoas se sentem incompatíveis com seus corpos, geralmente desde a primeira infância, mas outros começam a sentir que "estão no corpo errado" na puberdade ou mesmo mais tarde. A decisão de mudar fisicamente seus corpos, por meio de cirurgia e/ou de ingestão de hormônios, é uma tentativa de se sentir em harmonia com o gênero com o qual se identifica. Mas em termos de papeis de gênero, a paternidade e maternidade podem aflorar de outra forma, com algumas trans aproveitando o corpo do gênero de nascimento para gerar os próprios filhos. Estamos falando de felicidade, certo? Então não há o que julgar aqui. E há diversos casos de homens trans grávidos.  

Em 2008 o mundo conheceu o caso de Thomas Beatie, um norte americano que passou por três gestações na última década e que enfrentou junto de sua esposa na época muitas críticas e preconceitos. A idéia dele engravidar surgiu depois que sua esposa foi diagnosticada com uma condição que impediria a sua gravidez. Os filhos são saudáveis e vivem bem, mas o casamento não durou.
 
O homem transexual Hayden Cross, 20 anos, será brevemente o primeiro homem trans a dar a luz da Inglaterra. “Eu serei o melhor pai”, disse ele. Hayden "engravidou através de um doador de esperma que conheceu pela internet" e afirmou que "parou de tomar os hormônios masculinos que compõem seu processo de redesignação sexual há três anos por conta do bebê". “É uma coisa muito feminina carregar um bebê na barriga e vai contra tudo o que eu sinto em meu corpo. Queria a criança agora para que eu possa fazer a transição antes de envelhecer. Trans é uma algo comum agora para nossa geração. Ele tem o direito de saber”, referindo-se ao fato que contará ao bebê quando crescer sobre seu processo de transição. Quando nasceu, Hayden foi identificado com pertencente ao gênero feminino, mas ele se identifica com o masculino e por esse motivo é um homem transexual. 
 
Um outro caso atual, também nos Estados Unidos, é do transexual chamado Kaci Sullivan, do estado de Wisconsin, ficou que “grávido” pela segunda vez, agora pós a transição. Kaci afirma que a experiência vem sendo muito mais feliz do que da primeira vez quando ainda era uma mulher, “quando eu estava esperando meu primeiro filho, eu ainda negava que era um transgênero, eu esperava que minha gravidez fosse ajudar a me conectar com a feminilidade e que, de alguma forma, o terrível desconforto que eu senti com meu corpo toda minha vida pudesse ser aliviado, mas isto não aconteceu”. Na sua primeira gravidez, Kaci tinha 19 anos e vivia como mulher ao lado de seu marido, depois de dar à luz a seu primeiro filho, Kaci aos poucos foi percebendo que se ele quisesse criar bem seu filho ela teria de parar de tentar reprimir seus sentimentos como homem, logo depois, Kaci chegou a se divorciar e decidiu que começaria a tomar hormônios masculinos além de realizar uma cirurgia de mastectomia dupla. Por fim, Kaci concluiu que "a experiência da gravidez serviu para que ele percebesse o que ele não era e nunca poderia ser, dar à luz me forçou a enfrentar meus verdadeiros sentimentos sobre meu gênero, agora, meu corpo está muito alinhado com a forma como me vejo e minha gravidez é muito melhor. Adoro ver meu bebê crescer dentro de mim”.


 

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