Desde 2011, Curitiba já teve 28 mortes por LGBTfobia; em um total de 94 no Paraná

Apenas este ano, de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), que mantém o observatório online “Homofobia Mata”, foram registrados 16 casos de assassinatos de pessoas LGBT no Paraná, e 259 no Brasil todo.
Esses dados colocam o Paraná como o estado mais violento contra LGBTs do sul do Brasil (foram 5 mortes em Santa Catarina, e 9 no Rio Grande do Sul); e o quinto mais violento de todo o país, atrás de São Paulo (com 30 mortes até agora); Minas Gerais (com 29); Bahia (com 25); Rio de Janeiro (com 18); e empatado com Ceará (com 16). No acumulado geral, o Paraná é o segundo estado mais perigoso para as mulheres trans, perdendo apenas para São Paulo. Curitiba lidera a lista de cidade que mais mata LGBTs, com 28 mortes nos últimos sete anos.
 
Após uma queda no número de mortes de 2013 a 2015, o número de vítimas no estado voltou a crescer no ano passado, onde foram totalizadas 15 mortes; se medidas não forem tomadas, o recorde de 18 mortes no ano de 2012, pode ser quebrado ainda em 2017. Segundo o GGB, 2016 foi o ano com mais mortes de LGBTs desde o início da pesquisa, há 38 anos, com 343 mortos em todo o país, e no ritmo que os números crescem a cada dia, esse número ainda pode ser ultrapassado até o ano acabar.
 
Segundo dados deste ano, as maiores vítimas de violência são transexuais: foram 124 mortes em todo o Brasil até agora, sete no estado do Paraná. Eles são o grupo mais atingido pela violência levando em conta a proporção de pessoas que se identificam como trans, e os que sofrem as mortes mais cruéis. São seguidos pelos gays, com um total de 110 mortes, dez somente no Paraná. A maioria das mortes são causadas por tiros ou facadas, mas também há casos notáveis de espancamento, carbonização, tortura e suícidio. 
 
No final de 2015, a travesti Natasha Correa foi queimada viva enquanto fazia ponto na Av. Victor Ferreira do Amaral. Ela passou dois meses agonizando no hospital Evangélico até que não resistiu aos ferimentos. Outro caso em Curitiba que chamou atenção foi o rapaz atacado com ácido em maio deste ano. Cleverson perdeu a visão de um olho e teve queimaduras pelo corpo.
 
Segundo o GGB, muitos crimes são subnotificados, especialmente pelo fato do crime de homofobia não ser previsto por lei, podendo aumentar ainda mais esses indíces. Pela maioria ocorrer à noite ou de madrugada, fica mais díficil encontrar os culpados. Além disso, a falta de testemunhas, e a negação da motivação homofóbica por parte de profissionais, leva que menos de 20% de todos esses crimes sejam resolvidos. 
 
 

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