Padre consultor do Vaticano afirma: alguns santos provavelmente eram homossexuais

O padre James Martin, consultor de relações públicas do Vaticano, publicou em seu Facebook em maio deste ano um comentário alegando que alguns santos provavelmente eram gays. James escreveu isso em resposta a alguns comentários homofóbicos em sua publicação sobre uma igreja inclusiva.
 
“Alguns deles (santos) provavelmente eram gays. Uma certa porcentagem da humanidade é gay, então isso deve ser parecido entre os santos. Você pode ficar surpreso quando chegar ao céu e ser recebido por um homem ou uma mulher LGBT” escreveu o padre em seu Facebook.
 
James Martin já é conhecido por ser a favor da inclusão da comunidade LGBT na religião católica. Ele possui um livro intitulado “Construindo uma ponte: como a igreja católica e a comunidade LGBT podem entrar em uma relação de respeito, compaixão, e sensibilidade”. O padre também já deu declarações incentivando padres gays a saírem do armário e questionou a decisão do presidente americano Donald Trump de proibir estudantesvtrans de usarem o banheiro de seu gênero nas escolas americanas.
 
Para o historiador John Boswell (1947-1994), da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, existem bases para afirmar que alguns santos eram homossexuais. John é autor de dois livros que tratam sobre o tema: “Cristianismo, tolerância social e homossexualidade” e “Uniões do mesmo sexo na Europa pré-moderna”. Para o historiador, alguns dos santos gays seriam: São Sérgio e São Baco, São Aelred de Rievaulx e São Sebastião.
 
São Sérgio e São Baco
São Sérgio e São Baco viviam onde atualmente fica a Síria e eram considerados um casal de amantes. Eram nobres romanos com altos cargos militares no governo do imperador César Maximiliano. Como na época o cristianismo era considerado uma religião perigosa, os dois foram denunciados, presos e torturados. Baco morreu rapidamente, mas Sérgio suportou as dores e os ferimentos, tendo que ser decapitado. Naquela época, apesar de serem um casal, isto não era um problema, pois a igreja católica, além de aceitar os homossexuais, também celebrava o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O “casamento gay” era realizado pela igreja até o século XV.
 
São Aelred de Rievaulx
Aelred viveu por volta dos anos 1150, na cidade inglesa Rievaulx, onde era um monge celibatário. Em seus escritos, falava da dificuldade de manter a abstinência sexual, principalmente em seu caso em que a atração era tanto por mulheres quanto por homens.
 
São Sebastião
Estima-se que São Sebastião viveu em meados de 286 d.C. Ele era capitão da guarda pessoal do imperador romano Diocleciano mesmo sendo um cristão assumido (como já falamos, antigamente o cristianismo era visto como uma seita maligna), por isso existem boatos que os dois eram amantes. 
 
São Sebastisão também é considerado como o “santo padroeiro dos gays” devido a sua história de vida. Sendo um cristão declarado, São Sebastião foi denunciado por ter uma conduta mais branda com os prisioneiros que também eram cristãos. Para que sofresse mais e por mais tempo, foi condenado a morte por flechadas. Conta a história que Santa Irene o socorreu e o curou. Após isso, foi constestar o imperador por sua crueldade contra os cristãos. Diocleciano mandou então que seus guardas o espancassem até a morte.
 
Assim, São Sebastião foi um homem perseguido, martirizado e condenado a morte por assumir sua condição (a de ser cristão). A semelhança com o que os homossexuais que se assumem passam no decorrer de suas vidas fez com que diversos artistas LGBT fossem influenciados por sua história ao decorrer dos anos. Entre eles estão Oscar Wilde, Frederico Garcia Lorca e Rainer Maria Rilke. São Sebastião virou uma referência gay universal que contribuiu para criar a auto-imagem de vários homossexuais e por isso, tornou-se o santo representante dos gays.
 

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