Internauta conservador confunde camiseta “Je Suis Gay” com “Jesus Gay” e hostiliza apresentador

O jornalista e apresentador da TV Gazeta, Fernando Oliveira, o Fefito, foi ameaçado de morte por ser homossexual na semana passada. Uma matéria sobre o ocorrido foi ao ar no dia 2 de outubro deste ano e, como ilustração, anexou uma foto de Felipe usando uma camiseta com os escritos “Je Suis Gay”. 
 
Em francês, a frase significa “Eu sou Gay”, no entanto, um conservador entendeu outra coisa. O internauta Paulo Melo comentou na matéria sua indignação em que acusa Fefito de desrespeito ao usar uma camiseta com a frase: “Jesus Gay”. “Nem conheço o tal apresentador, mas da pra ver nitidamente que é um militante LGBT ferrenho protegido pelo poderoso grupo esquerdista Folha... O cara usa uma camiseta "Jesus gay" profanando o nome de Deus e quer ser respeitado?? O cara que o ameaçou pode ser outro babaca tbm mas que esse cara pede para que essas coisas aconteçam com ele é nítido”, comentou Paulo. 
 
Nas redes sociais o ocorrido virou sátira. Em seu blog, a professora e escritora Lola Aronovich comentou o caso: “rendeu ótimas risadas”. Paulo Melo tentou justificar seu comentário alegando que a frase na camiseta possui teor ambíguo, “não sabe interpretar duplo sentido”, disse. Outro internauta, o Presbítero Marcelo Cruz, seguiu o mesmo equívoco de Paulo: “A camisa dele (Fefito) é um desrespeito ao Cristianismo.”, comentou.  
 
Ameaça de morte
Na sexta-feira, dia 29 de setembro de 2017, Fernando Oliveira recebeu um e-mail de ameaça. O apresentador denunciou o ocorrido em suas redes sociais e vem recebendo apoio dos fãs. A mensagem enviada anonimamente dizia conhecer a rotina de Fernando, proferiu insultos e ameaçou matar o rapaz com uma arma de fogo a qualquer momento. "VIADO, ABERRAÇÃO, SAFADO, PILANTRA, DOENTE MENTAL OU apenas 'fernando' eu já anotei todos T-O-D-O-S os seus horários, e irei descarregar o meu 38 em ti", dizia o texto, originalmente. 
 
Indignado, Fernando ironizou:  “Não existe homofobia no Brasil. Olha que e-mail lindo eu acabei de receber. Uma bela ameaça de morte”. No facebook, o apresentador fez um longo desabafo sobre as constantes situações homofóbicas sofridas por ele e a maioria da população LGBT. 
 
"A sensação de ler um ataque tão cruel é de dormência. De querer acreditar que a vida não tá mesmo em risco e vai seguir acontecendo. Que tudo é pegadinha. Mas aí eu lembro que não era pegadinha apanhar no colégio por ser afeminado. Não era pegadinha ter fotos suas espalhadas com “viado” escrito na testa e batom passado na boca. Não era pegadinha acordar com medo de apanhar. Não era pegadinha ter de fugir de gente me perseguindo na rua. Não é pegadinha o Brasil ser o país que mais mata LGBTs em todo mundo. Não é pegadinha a expectativa de vida das mulheres trans ser de 35 anos. Não é pegadinha. É nossa vida. Nossa realidade. Todo dia. Toda hora", desabafou o jornalista. 
 
Apesar do sentimento de profunda tristeza e indignação, Felipe declarou através de sua rede social que vai tomar as providências cabíveis para que o autor da mensagem seja identificado e punido, “por mais que a homofobia não seja criminalizada, por mais que as investigações raramente deem em algo, eu vou atrás de meus direitos. Eu vou pedir punição a quem promove o terror. A quem tirou o sossego da minha mãe.”, escreveu. “O ódio de ninguém não vai parar o amor em meu coração. Sejamos firmes!", finalizou o apresentador. 
 

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