Mais exposições são canceladas alvo de censura conservadora em SP, MG e RJ

Se você acompanha as notícias que circulam na internet, deve saber muito bem que o Brasil está passando por uma fase um tanto quanto complicada. Os auto-intitulados “cidadãos de bem”, que são contra o politicamente correto (evitação de linguagem ou ações que são vistas como excludentes, que marginalizam ou insultam grupos de pessoas vistos como desfavorecidos ou discriminados – obrigado Wikipédia pela definição!) pois são a favor da liberdade de expressão, estão pressionando diversas instituições para que cancelem qualquer tipo de arte que vá contra os seus “princípios”.
 
Desde o caso do cancelamento da exposição Queermuseu pelo Santander Cultural, em Porto Alegre, essas pessoas têm denunciado formas de arte que contenham cenas de nudez ou que atentem aos seus ideais religiosos. Os “cidadãos de bem” facilmente abriram mão do discurso de liberdade de expressão nesses casos e tornaram-se rapidamente grandes entendedores do que é (ou não) arte. Lamentavelmente a censura não parou em Porto Alegre. Confira outras formas artísticas que foram reprimidas durante essa última semana.
 
Espetáculo “Evangelho segundo Jesus, rainha do céu” e mostra “Faça você mesmo sua Capela Sistina” (Minas Gerais). 
Essas duas formas artísticas estão juntas porque a grande representante contrária as suas exibições é a mesma pessoa, o deputado estadual João Leite (PSDB). Em um vídeo publicado no YouTube, João disse que as obras do reconhecido artista mineiro Pedro Moraleida que estão em exposição na “Faça você mesmo sua Capela Sistina” são um ataque ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Já em relação a peça “Evagelho segundo Jesus, rainha do céu”, o deputado disse em entrevista ao Estado de Minas que tem “a responsabilidade de garantir às pessoas sua religião, seu líder respeitado e que o livro que conduz sua fé seja respeitado.” Ele classificou a peça como “uma desmoralização da vida de Jesus e um preconceito contra a fé da maioria das pessoas no Brasil”.
 
Tanto os responsáveis pelo espetáculo quanto pela fundação em que ocorrerá a mostra garantiram estarem seguros dos seus conteúdos, acreditando que o deputado, através de denúncia ao Ministério Público, não terá sucesso em sua busca por censura.
 
Evento “Curto-circuito” (Rio de Janeiro)
Seria a quarta edição do evento com aproximadamente 50 artistas, mais perfomances e duas peças teatrais que estreariam na quinta-feira, 5 de outubro. Entretanto, artistas e público, ao chegarem ao Castelinho do Flamengo – local que abrigaria o evento – encontraram um cartaz colado aos portões fechados informando que o lugar estava com a visitação suspensa. Segundo o site O Globo, a artista Julie Brasil declara que houve censura da parte da prefeitura do Rio de Janeiro: “...durante a montagem, nesta semana, começou a circular a possibilidade de censura, e duas obras foram retiradas...nos disseram que havia uma pane elétrica...mas os computadores estavam funcionando normalmente, e as luzes dos andares superiores estavam acesas no início da noite.” 
 
Ela continua: “houve censura contra obras que traziam nu e outras que abordavam a questão da violência, como uma tela que trazia um mapa do Rio com pontos do tráfico de drogas demarcados.”
 
Queermuseu no Museu de Arte do Rio (Rio de Janeiro)
Aqui, novamente é a prefeitura do Rio de Janeiro a responsável pela censura. Dessa vez, declaradamente. Em vídeo, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) afirmou que não quer a mostra Queermuseu no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR). Crivella disse no vídeo: “só se for no fundo do mar” fazendo uma analogia entre a sigla do museu e o oceano.  Agora, a possibilidade é que a Escola de Artes Visuais do Parque Lage abrigue a exposição, porém ainda não há nada confirmado.
 
Panfleto da Secretaria da Cultura de Osasco (São Paulo)
Um panfleto divulgado no Facebook pela Secretaria da Cultura de Osasco convidando para uma reunião setorial sobre Artes Visuais e Grafite foi motivo de críticas pelo vereador Daniel Matias (PRP). A imagem do panfleto mostrava um grafite em um muro no qual Superman beijava Batman na boca. Para Daniel, isso não pode ser considerado cultura. Em seu discurso na Câmara dos Vereadores, ele foi aplaudido pela maioria dos colegas ao repudiar o panfleto. O caso segue agora para análise do prefeito, Rogério Lins.
 

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