“Meninos bons de bola” é o primeiro time de futebol exclusivamente transgênero do Brasil

Um projeto nascido na cidade de São Paulo está promovendo a inclusão social de homens trans. O time “Meninos bons de bola” é destinado exclusivamente a homens trans que desejam competir dentro e fora do estado.  A ideia veio diante da dificuldade que os homens transgênero enfrentam para serem aceitos e se adequarem aos times de futebol, uma vez que não pertencem ao gênero feminino para jogar com mulheres e, muitas vezes, não são bem-vindos em times de homens cisgêneros.
 
Rafael Henrique Martins, criador do “Meninos bons de bola”, é um homem transexual que fez cirurgias para modificar seu corpo, tal como a mastectomia para retirada dos seios e uso de hormônios para crescimento de pêlos e engrossar a voz.  Depois de enfrentar muito preconceito nos times masculinos, decidiu então elaborar um time que contemplasse não só a ele, mas a outros homens trans que passavam pelo mesmo problema. 
 
As diversas alterações hormonais pelas quais passam os homens transgênero quando estão em  transição geram consequências emocionais e psicológicas. O esporte é uma alternativa terapêutica de lidar com esse processo de forma saudável, já que alivia a tensão e ansiedade, assim como o ganho de peso causado pelos remédios. Um time formado exclusivamente por homens trasngêneros proporciona o afastamento dos contextos discriminatórios e une membros com objetivos comuns. “O esporte é um modo de viabilizar o encontro entre essas pessoas, proporcionando lazer e bem-estar e um grupo de apoio entre pares”, defende a psicóloga Moira Escorse, que presta trabalho voluntário ao grupo. 
 
O time é formado por 25 jogadores que treinam uma vez por semana em uma quadra pertencente ao Sindicato dos Bancários, mas em alguns momentos precisam procurar outro espaço quando membros do sindicato pedem para usar a quadra. O grupo tem apenas um uniforme, e conta com a participação voluntária de outras entidades, como a Universidade Metodista que presta serviço de comunicação e divulgação do time e, até mesmo, apoio jurídico. Apesar de modesto, o time foi uma ideia grandiosa que com uma pequena ajuda de membros da comunidade se torna um essencial mecanismo de inclusão. 
 
No ano que vem, o “Meninos bons de bola” já tem planos para competir em outros campos. O grupo almeja disputar no Gay Games, maior evento LGBT do mundo, em Paris. Para que o sonho aconteça, os competidores estão apostando nas redes sociais para levantar o montante necessário através de patrocinadores que precisam doar R$ 80 mil reais. Por hora, o grupo procura ampliar seu número de jogadores e conquistar cada vez mais espaços para treinar em São Paulo. 

 
 

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