Primeira Guarda Municipal transgênero do Paraná já usa nome social no trabalho em São José dos Pinhais

Valkyria Menna, 43 anos, é a primeira mulher transgênero a fazer parte da corporação de uma Guarda Municipal no estado do Paraná. Após passar por anos de espera, Valkyria agora pode ser chamada pelo nome social em seu trabalho, graças à autorização que recebera da Prefeitura de São José dos Pinhais. No passado masculino, casou-se com uma mulher e teve duas filhas, hoje com 5 e 11 anos. Nunca se sentiu plena em seu corpo masculino e depois de anos de transição, conseguiu alcançar sua verdadeira identidade, feminina. 
 
Há 12 anos Valkiria faz parte da Guarda Municipal de São José dos Pinhais. Nos últimos 7 meses a guarda entrou em contato com seus superiores para conquistar o direito de usar seu nome social.  A solicitação foi feita diretamente na prefeitura de São José dos Pinhais e a resposta foi positiva. 
 
Com a mudança, alguns colegas de trabalho estranharam, afinal, foram 12 anos chamando Valquíria por outro nome. Mesmo diante das dificuldades, hoje, os colegas a respeitam e admiram como a Guarda Municipal Valkyria Menna. “Com relação aos colegas de trabalho não tive problemas, todos me respeitam e alguns aceitaram, pra mim foi uma grande surpresa, pois eu tinha certeza da total exclusão”, declarou em entrevista para a Lado A.

“Fiquei super feliz, pois querendo ou não, o ambiente de trabalho quando é agradável influencia em outros pontos de minha vida.”, disse. Valkyria afirmou ainda, que deseja ir mais longe e incluir seu nome social também em seus outros documentos, uma vez que ele consta apenas no cartão do SUS (Sistema Único de Saúde).  
 
Fora do âmbito de trabalho, a surpresa também foi positiva. Valkyria recebeu muito apoio de seus familiares em casa. Com duas filhas, a guarda contou que “cada um teve seu tempo para entender e compreender sobre o assunto, apenas dois dos meus irmãos que ainda estão se acostumando com isso.” Aos poucos, ela vai conquistando cada vez mais espaço e mostrando que o preconceito e discriminação são atitudes sem sentido e que o apoio da família é essencial. “ Se a família não apoia, tudo fica mais difícil”, disse. 

Para as outras pessoas que estão em processo de transição e enfrentando uma sociedade transfóbica, Valkyria deixa um recado: “não percam a fé que um dia as coisas irão melhorar e que os avanços dependem de nosso comprometimento, sei que é muito difícil se assumir, mas tenham certeza que não estamos sozinhas nessa batalha.”, finalizou. 

 

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