Blog do Johan

Allan Johan

Amigos, amigos, sexo a parte

Há algumas semanas postei em meu perfil em uma rede social a seguinte frase: “Amigos não transam”, com uma sequência mais polêmica ainda em que dizia que assumissem suas “promiscuidades” e não esquecessem que amigos eram como “família”. Volto ao tema aqui, primeiro porque algumas pessoas não entenderam a subjetividade da postagem, e também porque outros concordaram demais com ela. Não sejamos hipócritas: todos já fizeram ou quiseram fazer sexo com um amigo.



A homofobia, infelizmente, é um crime organizado

Ultimamente, vemos com frequência termos "gayzistas" ou "feminazi" usados contra grupos militantes de homossexuais e de feministas, sendo usados por quem discorda de seus posicionamentos, às vezes considerados “exagerados” de forma proposital. Pois foi exatamente o nazismo que aplicou uma desumanização em nome da sua supremacia para exterminar então judeus, homossexuais, negros, e quem fosse contra seu sistema repressor.



Aquele abismo secreto que habita em todos nós

Há uma frase do pensador alemão Friedrich Nietzsche que diz: “Quando você olha para dentro do abismo, ele olha para dentro de você”. Talvez por isso, ocupamos boa parte do nosso tempo nos cercando de certezas e esperanças, e pouco olhamos para o nosso lado obscuro, aquele lugar cheio de dúvidas paralisantes. Ocupamos o tempo e a cabeça evitando olhar para o interior profundo, traumas, ou discutir as nossas questões existenciais.



A barbárie da morte do homem que ousou defender uma travesti no Metrô de São Paulo no dia de Natal

Não é Aleppo, é Brasil. Não é qualquer cidade, é São Paulo, a maior metrópole da América do Sul. Não foi em um beco, foi em plena estação do Metrô. Há algo errado, muito errado. Certo estava o homem, o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas, 54 anos, que foi defender uma travesti perseguida por dois homens aos berros de “vamos matar”. Ele acabou morto no dia de Natal. O crime ocorreu por volta das 20h deste domingo, dia 25.



10 lições preciosas que a vida me ensinou

Tenho 36 anos e já vivi um pouco. Tive uma vida diferente da maioria das pessoas. Aos 15 anos de idade, me mudei para o Japão, tive contato com diversas culturas e filosofias. Posso dizer que vivi bastante, apesar da jovem idade. Embora a palavra “bastante” para mim conote “suficiente”, sempre quero viver mais, aprender mais. Morei fora outras vezes, viagei bastante, passei por alguns dramas pessoais: sofri, caí e levantei. No caminho, vamos aprendendo lições e delas tiramos proveitos, ou não. Resolvi copilar alguns desses ensinamentos da vida.



A política brasileira e o círculo vicioso da corrupção

O atual sistema eleitoral brasileiro incentiva a corrupção tão combatida e condenável aos representantes do povo. Um exemplo desta afirmação é o abastecimento do caixa dois de campanhas por doações ilícitas e de dinheiro proveniente de desvio de verbas. Essas práticas são comuns em todo o país e são justificadas pelos políticos como “necessárias” para a reeleição e a manutenção de seus cargos.



E se alguém dissesse: Biel, quero te estuprar e te rachar no meio?

Aprenda com o Biel... pensar não é crime, falar é, mesmo que de brincadeira. Pobre Biel, sendo massacrado em praça pública. Tão bonitinho, amigo dos gays, molecão, mas esqueceu que já tem 20 anos e que há limites sim. Ele não entendeu o limite, mas vamos deixar claro: 1 – a moça era uma profissional em horário de trabalho entrevistando ele, 2 – Não foi  uma, mas várias situações constrangedoras de que ela foi alvo em seguida, 3 – Falou de estupro quando todo mundo estava discutindo o tema ao qual o funk é acusado ainda de ser parte da “cultura do estupro”. 



A vida é um dark room com imagens projetadas?

Temos uma imagem nossa, que criamos de nós mesmos, mas mostramos outra melhorada para o mundo, principalmente nas redes sociais. Muita gente é elogiada por ter “naturalidade” frente às câmeras, ou por ser simpática, mas são elas mesmo ali ou o alter ego que criaram para se mostrar ao mundo? Conhecemos pouco uns aos outros, falamos poucos dos nossos sentimentos. Não conhecemos o outro e muitas vezes nem a nós mesmos.



O segundo armário

A sociedade primeiro nos diz que não deveríamos existir e nos ensina a nos odiar. Depois, fala que podemos sim coexistir, como se para tanto precisasse de alguma autorização, mas nos impõe que devemos ser discretos. Ser divergente em um mundo dominado por preconceitos não é tarefa fácil.
 
O primeiro armário todos nós conhecemos: quando a pessoa se percebe homossexual, ou transexual, ou bissexual, e precisa primeiro entender isso dentro dela para assumir o rótulo que lhe foi descrito cheio de qualidades negativas.



Bicha: ser ou não ser, não é a questão (Bicha sim, pero no mucho)

O recente documentário pernambucano Bichas abre a discussão de forma impactante com jovens dizendo que são bichas. O termo, carregado de preconceito, é absorvido por parte da comunidade LGBT como forma libertária de apropriação do significado pejorativo. Há diversas hipóteses para o uso no Brasil da palavra. A mais coerente é que, segundo o livro "Além do Carnaval", do pesquisador James Green, veio do francês, da palavra “biche”, fêmea do veado, também usado por lá no passado para designar as donzelas. Aqui virou sinônimo de rapariga ou puta.



Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos

A frase “Charlie, nós aceitamos o amor que achamos que merecemos”, descobri, é parte do livro As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, 1999) de Stephen Chbosky, que também já virou um filme. Ela surgiu em minha vida em uma discussão sobre vida amorosa e assombra as minhas conversas com a minha melhor amiga, valendo para os dois, sempre. Seria fácil colocá-la como conclusão da discussão “por que aceitamos receber de volta  menos do que merecemos”, mas queria abordar aqui o porquê acreditamos que merecemos menos ou mais.



A desprofissionalização dos DJs e as exigências do mercado

Sempre dividi os deejays em duas categorias na hora de promover ou escolher os meus prediletos: os profissionais e os amadores. Aqueles que vivem deste ofício e buscam maior formação de um lado, e aqueles que fazem por mero hobby, passatempo ou complemento de suas rendas. Talvez por ver e viver a situação da profissão de jornalista, invadida por blogueiros e pessoas que acham que escrever notícias e criam uma marca online e acham que opinar é liberdade de expressão com garantia constitucional e não precisa de um diploma, sempre me identifiquei com os dramas que vivem os DJs amigos.



A nossa culpa nos atentados de Paris e na tragédia de Mariana

Temos a capacidade de nos comover e rotular de tragédia toda forma de acontecimento que nos choca, geralmente com mortes e flagelo de outros, mas raramente analisamos de forma profunda a nossa contribuição para que isso tenha ocorrido. Somos, no fundo, insensíveis e hipócritas. Costumo indagar o papel do usuário de drogas “recreativas” na trilha de sangue do tráfico. Normalmente o consumidor final não tem contato com o submundo violento do mundo do narcotráfico, por isso, nada estraga as suas “viagens”.



Quando o instinto de sobrevivência nos faz anular o instinto de felicidade

Não há dúvidas que descendemos dos macacos. Alguns comportamentos humanos são tão impregnados por nossos ancestrais que não deixam dúvidas de que temos muito mais da selva em nós do que imaginamos. Em uma simples experiência, em um elevador, três pessoas entram e se colocam viradas voltadas para o lado contrário da pessoa que ali estava. Em questão de segundos, a cobaia humana também vira: quer fazer parte do grupo. O que chamamos algumas vezes de sociabilidade tem outro nome: instinto de sobrevivência.



Enterrando e desenterrando cadáveres de ex namorados

Aos 19 anos eu tive um grande amor que durou pouco mais de um ano. Foi intenso, imaturo e marcante, ao menos para mim. Éramos crianças. Terminou por telefone, depois de uma série de sucessivas brigas: “eu não aguento mais”, disse ele chorando. Eu era imaturo, reagi da pior maneira possível. Havíamos combinado durante o namoro que se algum dia terminássemos, teríamos que fazer algo para que não houvesse possibilidade de volta, já que ele ficou no vai e vem com o ex anterior alguns meses.



O tal brilho nos olhos

Sempre namorei caras mais novos. Por muitas vezes não sabia o motivo disso, mas percebi um padrão. O namoro ia bem até que não vejo mais aquele brilho e isso passava a me incomodar. E eu fazia de tudo para que a pessoa continuasse a ter tal característica, nem que eu precisasse doar a minha alegria, por meio de muita dedicação e tempo, ou o que precisasse, ao qual eu chamava de amor.



O monólogo do Cu

Cansei de tomar. Cansei. Para todos e para tudo, mandam tomar em mim. Cansei também das pessoas errarem o meu nome. Me chamo CU, sem acento. As monossílabas tônicas são acentuadas, as terminadas em A, O e E apenas. E nos encontros vocálicos, I e U são meras semi-vogais. Assim como apenas o pênis e a vagina são tidos como genitálias e eu não. Injusto, mas a vida é assim. Restou para mim, o Cu, apenas ser o final do seu sistema  digestivo. Existe uma frase boa para lembrar o meu nome. “Cu não tem acento, o assento que sempre tem cu”.




Gays conservadores e a homofobia internalizada dos próprios gays

Não é porque uma pessoa é homossexual que ela não pode ser homofóbica. Uma das facetas mais claras de como a homofobia social deturpa o meio gay é quando homossexuais ou gays assumidos são contra um beijo gay na novela, contra o casamento gay, a adoção gay ou ainda andar de mãos dadas nas ruas. Para eles, é uma provocação à sociedade - colabora contra a imagem do gay - e aumento da violência. Oi?




Não é por R$20: O custo invisível das drogas

Quando uma pessoa consome um entorpecente, ela não apenas lesa a sua saúde, ele ajuda a manter uma cadeia cruel de mortes, custos públicos e violência. As máfias das drogas estão ligadas ao tráfico de pessoas, corrupção de menores, lavagem de dinheiro, roubo de veículos, estelionato, corrupção de agentes públicos e a outros infinitos crimes. Ao comprar uma droga ilícita, seja qual for o motivo, seja qual for a quantidade, você está colaborando. As organizações criminosas não tem centralização, são mais espalhadas do que células terroristas e tão cruéis quanto.



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