Para Pensar

Arthur Virmond de Lacerda Neto

Anedota Fálica

Chama-se de anedota a narrativa breve, relativa a fato real ou fictício e não necessariamente hilária. Chamo de anedota fálica a narrativa breve, relativa ao falo (sinônimo de pênis ou pinto) e, consoante a sensibilidade do leitor, risível, burlesca, tola, de mau gosto, brejeira, inútil ou como queira cada um qualificá-la: ela admite todos os adjetivos e é passível de valoração por distintas sensibilidades. Pretendo que esta seja edificante, na medida em que se presta a motivar reflexões.
O seu protagonista, chamo-o de Varão, por tratar-se de homem.



Alfabeto na Balada

 
A sou eu;
B namorava Mateus,                      
C, conhecia-o de privança,          
D usava bonete
E usava chapéu,
F andava em cabelo,
G cobria-se com barrete,
H usava pulseiras,
I portava pingente,
J desviou o rosto quando nele reparei,                   
K sorriu-me e acenou-me ao ver-me,                  
L abraçou-me com efusão,                                  
M correspondeu-me ao cumprimento com frieza   
N supreendeu-se ao se me deparar,



Preto de tênis branco

Encontrei-o na entrada da galeria
em que tenho moradia.
Era moreno, mulato, pardo:
a sua cor fulminou-me como dardo.
A cor não me é decisiva,
porém sim a sensação, rediviva.
Era humano, mouro, mouríssimo,
fora estátua de granito, seria belo, belíssimo!
Negro, com sorriso encantador,
preto de ébano, todo sedutor.
Sorria-me com delícia, 
na face em que eu via blandícia,
Calçava tênis brancos, que como pretexto usei
para puxar a conversa que com ele travei.
Eram alvos e com esmero lavados; 
Aparentavam novos, conquanto já assaz usados. 
Fossem calças coloridas, seriam pretextos mais:
elas andam na moda e delas tenho demais.
Para palavra dar e parolar
a fim de cortejar e galantear,
tudo  sempre bem serve 
para quem tem boa verve.
Galanteado, foi-me receptivo, o que percebi
no sorriso imenso e voz doce que lhe mereci.
Foi breve o colóquio,
porém não foi vanilóquio.
A um e a outro olhamos...
o mesmo pensamos?
Logo me retirei,
porém antes lhe lancei
dito adocicado
em tom encantado:
- Lindo!
Agradeceu-me, sorrindo.
Vim-me, ele lisonjeado
e eu, com ele maravilhado. 
Arrependi-me por não haver ficado.
Se o fizera, ficara ele osculado  
nos seus lábios, com o meu fervor,
prelúdio, quiçá, do nosso amor!
Esperança tenho de mais encontrá-lo
e então, de todo conquistá-lo!
Maravilhoso aquele jovem escuro,
conquistá-lo-á o homem branco já maduro?
 

18 nov 2016
 



Saias Masculinas

Portaria publicada em 14 de setembro de 2016, no colégio D. Pedro II (da cidade do Rio de Janeiro), suprimiu a obrigação de os rapazes trajarem fardamento tipicamente masculino, e de as moças envergarem roupas tipicamente femininas, embora mantivesse a imposição de uso de uniforme. A alteração visa a propiciar liberdade de opção dos alunos e das alunas transgêneros, que poderão trajar-se consoante o gênero com que se sintam identificados, o que, na prática, permite o uso de saias pelos rapazes que assim o desejarem.



Beijou-me Bocalmente

Em relação a costumes, alinho-me com a liberdade de ser, de estar, de exprimir-se. É deste lado que me encontro, e no oposto ao dos tabus e das caretices, notadamente de matriz religiosa. Igualdade de gênero, cultura do corpo livre, nudez natural, homoafetividade, poliamor, liberdade, adiro-lhes. Machismo, violência, pudor (vergonha do corpo), gimnofobia (recusa da nudez), misofalia (recusa da exposição do pênis), homofobia, desigualdade de gênero, antagonizo-lhes.



Escola sem Partido. Objeções.

I- Instrumento de obscurantismo religioso.
Tramita no Congresso Nacional projeto de lei proibidora de os professores tratarem de temas políticos, nas suas aulas, com parcialidade em favor de algum ideário ou de alguma ênfase, e de sexualidade, em termos que contrariem os valores e princípios inculcados nos discentes, pelos respectivos pais, o que, no caso desta, atinge especialmente a compreensão da mal chamada ideologia de gênero, a transexualidade e a homossexualidade.
Uma das motivações do projeto consiste em que o professor deve respeitar o direito



As bermudas são proibidas ou Ridicularias no Brasil

Há, no Brasil, uma exigência de comportamento que me surpreende: a de turistas trajarem calças em dados ambientes (pelo que se lhes proibe, neles, o acesso de bermudas), como no prédio antigo da relação de Belo Horizonte, no palácio das Princesas de Recife (sede do governo pernambucano); pelo que me constou, também no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro, famosa pelos seus quarenta graus de temperatura, na canícula.
 
É verdade que, aos domingos, na visitação do palácio das Princesas, admite-se qualquer traje: chinelos, bermudas, mini-saias e



Carta ao comandante e anotações sobre o nudismo urbano

Colunista da Lado A, filósofo e professor de Direito, envia carta ao comandante da Polícia Militar do Paraná e explica implicação legal e moral do nudismo.


Exmo. Sr.
Coronel César Vinicius Kogut
Comandante da Polícia Militar do Paraná
Av. Marechal Floriano Peixoto, 1401 
Rebouças - 80230-110 - Curitiba - PR
 
 
Curitiba, 22 de janeiro de 2015.
 
Senhor Comandante:



Ato obsceno e nudez

Três fatos ocorreram recentemente, no Brasil: um sujeito perambulou desnudo, em Jaraguá do Sul (SC) e foi detido pela polícia, por ato obsceno; uma estrangeira desnudou as suas mamas, no areal da praia de Copacabana, ao que um policial instou-lhe para que as cobrisse; jogadores da seleção croata apresentaram-se despidos na piscina do hotel em que se hospedavam, em Salvador, ao que alguns brasileiros retiraram-se do local, “para proteger as suas famílias”.




Notas sobre o nudismo

Se há uma diferença perceptível de mentalidade e de costumes entre os brasileiros e os europeus, é a da aceitação, dentre estes, da nudez, como naturalidade, e a sua recusa, da parte de muitos dos primeiros. Quando menos, na Europa há mais receptividade à nudez do que no Brasil, à conta da herença teológica, vale dizer, cristã, que marcadamente influenciou os costumes de conservadorismo, mais presentes entre nós do que na Europa. Eis porque, lá, o naturismo difundiu-se mais do que cá.




Vergonha do Corpo e Nudez

Por que o brasileiro encobre certas partes do seu corpo nas praias? Décadas atrás, havia traje de banho: as pessoas banhavam-se no mar vestidas, com trajes próprios, que, nos homens e nas mulheres, encobriam-lhes o peito e a metade superior das coxas. Depois, os homens descobriram o tórax e as mulheres adotaram o “maillot”.  A seguir, o calção de banho masculino reduziu-se a as mulheres adotaram o biquini, em que se lhes ocultam as mamas e o púbis.



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