poesia

Alfabeto na Balada

 
A sou eu;
B namorava Mateus,                      
C, conhecia-o de privança,          
D usava bonete
E usava chapéu,
F andava em cabelo,
G cobria-se com barrete,
H usava pulseiras,
I portava pingente,
J desviou o rosto quando nele reparei,                   
K sorriu-me e acenou-me ao ver-me,                  
L abraçou-me com efusão,                                  
M correspondeu-me ao cumprimento com frieza   
N supreendeu-se ao se me deparar,



Preto de tênis branco

Encontrei-o na entrada da galeria
em que tenho moradia.
Era moreno, mulato, pardo:
a sua cor fulminou-me como dardo.
A cor não me é decisiva,
porém sim a sensação, rediviva.
Era humano, mouro, mouríssimo,
fora estátua de granito, seria belo, belíssimo!
Negro, com sorriso encantador,
preto de ébano, todo sedutor.
Sorria-me com delícia, 
na face em que eu via blandícia,
Calçava tênis brancos, que como pretexto usei
para puxar a conversa que com ele travei.
Eram alvos e com esmero lavados; 
Aparentavam novos, conquanto já assaz usados. 
Fossem calças coloridas, seriam pretextos mais:
elas andam na moda e delas tenho demais.
Para palavra dar e parolar
a fim de cortejar e galantear,
tudo  sempre bem serve 
para quem tem boa verve.
Galanteado, foi-me receptivo, o que percebi
no sorriso imenso e voz doce que lhe mereci.
Foi breve o colóquio,
porém não foi vanilóquio.
A um e a outro olhamos...
o mesmo pensamos?
Logo me retirei,
porém antes lhe lancei
dito adocicado
em tom encantado:
- Lindo!
Agradeceu-me, sorrindo.
Vim-me, ele lisonjeado
e eu, com ele maravilhado. 
Arrependi-me por não haver ficado.
Se o fizera, ficara ele osculado  
nos seus lábios, com o meu fervor,
prelúdio, quiçá, do nosso amor!
Esperança tenho de mais encontrá-lo
e então, de todo conquistá-lo!
Maravilhoso aquele jovem escuro,
conquistá-lo-á o homem branco já maduro?
 

18 nov 2016
 



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