poesia

Cura Gay

Tem muita gente precisando da Cura Gay.
 
Gente incomodada com a felicidade dos outros.
Gente que diz ter ordens divinas para criticar.
Gente que quer interferir dentro das quatro paredes alheias.
Gente que fica infeliz quando percebe que outros conseguem ter prazer em todos seus orifícios.
Gente com sede de ódio.
Gente intolerante.
Gente controlada por preconceitos.
Gente que não aceita outro Ser diferente.
Gente infeliz.
Gente incapaz de ser feliz.
 
 



Alfabeto na Balada

 
A sou eu;
B namorava Mateus,                      
C, conhecia-o de privança,          
D usava bonete
E usava chapéu,
F andava em cabelo,
G cobria-se com barrete,
H usava pulseiras,
I portava pingente,
J desviou o rosto quando nele reparei,                   
K sorriu-me e acenou-me ao ver-me,                  
L abraçou-me com efusão,                                  
M correspondeu-me ao cumprimento com frieza   
N supreendeu-se ao se me deparar,



Preto de tênis branco

Encontrei-o na entrada da galeria
em que tenho moradia.
Era moreno, mulato, pardo:
a sua cor fulminou-me como dardo.
A cor não me é decisiva,
porém sim a sensação, rediviva.
Era humano, mouro, mouríssimo,
fora estátua de granito, seria belo, belíssimo!
Negro, com sorriso encantador,
preto de ébano, todo sedutor.
Sorria-me com delícia, 
na face em que eu via blandícia,
Calçava tênis brancos, que como pretexto usei
para puxar a conversa que com ele travei.
Eram alvos e com esmero lavados; 
Aparentavam novos, conquanto já assaz usados. 
Fossem calças coloridas, seriam pretextos mais:
elas andam na moda e delas tenho demais.
Para palavra dar e parolar
a fim de cortejar e galantear,
tudo  sempre bem serve 
para quem tem boa verve.
Galanteado, foi-me receptivo, o que percebi
no sorriso imenso e voz doce que lhe mereci.
Foi breve o colóquio,
porém não foi vanilóquio.
A um e a outro olhamos...
o mesmo pensamos?
Logo me retirei,
porém antes lhe lancei
dito adocicado
em tom encantado:
- Lindo!
Agradeceu-me, sorrindo.
Vim-me, ele lisonjeado
e eu, com ele maravilhado. 
Arrependi-me por não haver ficado.
Se o fizera, ficara ele osculado  
nos seus lábios, com o meu fervor,
prelúdio, quiçá, do nosso amor!
Esperança tenho de mais encontrá-lo
e então, de todo conquistá-lo!
Maravilhoso aquele jovem escuro,
conquistá-lo-á o homem branco já maduro?
 

18 nov 2016
 



O Corpo Como Nudez – Confira trecho de livro de poesia homoerótica portuguesa

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Editora GLS Nacional lança coletânea gratuita de poemas homoeróticos on line

A poesia gay é observada desde sempre, de diversas formas, e está presente na obra de autores consagrados, muitos deles homossexuais reclusos em um tempo em que ser gay não significava se definir como tal ou era preciso esconder a sexuakidade para usufruir de algum prestígio social. Muitos destes autores estão presentes na obra “Poemas Homoeróticos Escolhidos”, de Paulo Azevedo Chaves e Raimundo de Moraes, lançada esta semana pela Index Books em versões virtuais e impressa. A versão on line está disponível para consulta, integralmente gratuita.