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Minha Indignação

Redação Lado A28 de Setembro, 200917h03m

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Sempre venho à Revista Lado A expor um pouco do meu dia a dia, nos relacionamentos e questionamentos internos e procuro sempre levar a verdade da maneira mais limpa possível.


Mas esse fim de semana passei, juntamente com outros cinco amigos, por uma situação que não poderia deixar em branco. Estávamos em uma lanchonete vinte e quatro horas, muito conhecida e muito freqüentada por gays daqui de Balneário Camboriú, conversando e brincando a respeito da balada que acabávamos de visitar. Em alguns momentos dois de nossos amigos que namoravam trocavam carícias e leves beijos no rosto e selinhos. Estávamos sentados em uma mesa localizada na calçada, ao lado das portas do empreendimento, com um homem manobrista de carros nos vigiando. Então,  um homem, que depois se apresentou como dono da lanchonete, se colocou atrás de nós como que nos observando.


Num dado momento, um dos meninos atirou um guardanapo usado e amassado no outro por brincadeira e foi retribuído com o mesmo guardanapo. Nessa, o homem veio até a mesa e de uma maneira grosseira mandou um dos garçons retirar os pratos e dizia que ali não era a casa de ninguém dos que estavam ali e que iríamos parar de fazer “putaria” (exatamente essa palavra) ali em seu estabelecimento, retirando os copos quase que quebrando-os uns nos outros!
Pedimos a conta de imediato, mas percebemos que aquilo era um típico caso de homofobia e retrucamos e o senhor apenas zombava de nós como se não se importasse com o que dizíamos, sendo ele o dono do comércio.


Saímos do estabelecimento completamente arrasados e indignados, pois sabemos que a comunidade gay de Balneário e região são um dos maiores clientes que aquele comerciante atende mas, não respeita-nos como seres humanos e muito menos teme que seu ato seja de alguma maneira repreendido.


A minha indignação maior é que em momento algum ele nos chamou de qualquer que seja nome depreciativo a nós gays, o que iria auxiliar em algum processo, apenas nos observou e esperou que fizéssemos qualquer coisa que ele julgasse errada (jogar bolinha de papel um no outro), para nos escorraçar do local.


Fizemos de tudo para não cairmos no ridículo de brigar ou fazer qualquer tipo de barraco, pois acreditamos na Justiça e sabemos da mobilização do orgulho gay, pela qual lutamos de verdade e sabemos que um negócio assim não deve prosperar a não ser que mudem seus conceitos conosco!


Desculpe aos nossos leitores, mas precisava desabafar de maneira a proteger nosso maior direito: o de sermos quem somos e não temermos ninguém ao demonstrar o que sentimos uns pelos outros.
O caso será levado adiante e em breve teremos novidades!


 

Redação Lado A

SOBRE O AUTOR

Redação Lado A

A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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