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Conheça a DJ Fabrizia Souza de Florianópolis, a primeira DJ travesti do Brasil

Redação Lado A 06 de Abril, 2011 21h01m

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Aos 27 anos, Fabrizia Souza, de Florianópolis, estava no clube Concorde, em Florianópolis quando viu a apresentação da DJ Grã Ferreira e teve um estalo: iria se tornar DJ. Tudo começou a fazer sentido em sua vida. Era isso sua paixão: a música, fazer as pessoas dançarem. Lembrou que fugia de casa quando tinha 15 anos para ir escondida para a balada e que a noite sempre a acompanhou, espreitando sua existência e transformação, mas que somente agora a vida fazia sentido e lhe dava gosto.


Desde cedo, ainda como menino, já trabalhava para ajudar em casa. Aos 20 anos, ela era recepcionista em um salão de renome da cidade quando decidiu que iria assumir seu lado feminino de vez. Avisou a dona do salão que tomaria hormônios para crescer as mamas e lhe dar o contorno que desejava. Na hora, recebeu total apoio. O preconceito, porém, lhe puxou o tapete e a patroa avisou que ela não poderia mais trabalhar lá. Sem conseguir um novo emprego, foi parar na prostituição. “Quando me dei conta estava ja fazendo programas”, conta ela que não gosta de seu trabalho e que pretende sair da prostituição assim que possível. “As pessoas falam: dinheiro `fácil´, e eu respondo por experiência própria: é um dinheiro RÁPIDO, porque fácil, não é não”, explica.



Com 22 anos ela colocou silicone industrial na bunda e se assumiu como profissional do sexo. Foi quando conheceu a amiga Vitória, a quem é muito grata, que a chamou para ir embora para a Europa. “Você, por ser um anjo na minha vida e ser minha amiga, eu vou levar você comigo”, disse a nova amiga que depois disso desapareceu, para o desespero de Fabrizia. Um dia, o telefone de sua casa toca e sua mãe diz: “É a Vitória”. Ela conta que tremeu toda e que a amiga estava na Suíça e informou que sua passagem já estava comprada. Ela só avisou da viagem para a mãe depois que já estava na Europa, onde morou por cinco anos.


Ela morou na cidade de Luzern, por dois anos e meio. O ambiente hostil entre as travestis e a polícia por lá fez com que se mudasse para a Itália. Depois de dois anos, Fabrizia voltou para o Brasil, para a sua terra natal querida, Florianópolis, onde voltou a sua vida de antes, agora mais madura. “Muitas pessoas me conhecem como ´Flavinha`, mas prefiro que me chamem como Fabrizia. Eu costumo viver personagens e, pra mim, Flavinha foi uma pessoa muito sofrida, humilhada, mas também muito sonhadora, de tanto sonhar, conheceu um amor verdadeiro e que depois de um tempo, “como nada dura pra sempre”, eu resolvi não lembrar mais do passado e troquei de nome”.


Sobre a descoberta sobre sua nova carreira, ela conta: “Um dia estou lá na Concorde ouvindo as músicas e percebo algo diferente, como alma e sentimento de mulher. Aí pensei: o que está acontecendo com o Anderson Negão, ou será o Jean Carlo (djs residentes da Concorde). Daí eu pensei: não são eles. Quando olha para a cabine, uma mulher linda morna alta com um estilo próprio e uma simpatia incrível e, claro muito, boa. Era a DJ Grá Ferreira. Essa mulher foi a minha inspiração de me tornar uma DJ. Na hora aquilo me deu um estalo e eu fui correndo falar com os DJs dizendo: “Eu quero ser uma DJ, como eu faço”. Ele falou de uma escola de DJ aqui, fui atrás dessa escola e fiz o curso da Djland”.


A mais nova DJ da cidade já tocou em festas de amigos e quer divulgar o seu trabalho. Ela espera consolidar a sua carreira com o tempo para deixar a prostituição e fazer algo que realmente gosta.


 

Redação Lado A

SOBRE O AUTOR

Redação Lado A

A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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