Homofobia no futebol: No Brasil procurador diz ser “brincadeira” mas na Europa haverá punição

Nesta terça feira, pela Copa da Uefa, torcedores do Bayern de Munique mostraram um cartaz em que satirizavam a torcida gay do adversário da partida, o time inglês “Arsenal”, e o jogador Mesut Özil. Desenhado de costas, o jogador aparece mostrando a bunda vestido com o uniforma da torcida para uma arma (símbolo do time) e a inscrição “Gay Gunners” (nome da torcida).

O cartaz foi considerado ofensivo e pode render ao clube uma punição por parte da federação. A imprensa inglesa está tratando o assunto com muita seriedade e a “brincadeira” não foi bem vista nem pelos ingleses e nem pela UEFA que já decidiu tomar medidas disciplinares, possivelmente uma pesada multa contra o clube e sua torcida. Com a partida, que terminou em 1 a 1, o Bayern avançou às quartas de final, já que ganhou a partida anterior no campo rival.

No Brasil, xingamentos ao goleiro são paulino Rogério Ceni por parte dos torcedores do Corinthians, em jogo realizado no dia 9 deste mês, no Pacaembu, deve render uma representação do GGB, grupo gay da Bahia, ao Tribunal de Justiça Desportiva. Os torcedores gritavam a palavra “bicha” a cada escanteio batido pelo time contra o São Paulo. Os torcedores são paulinos tem o apelido de “bambis” pois no passado comemoravam as vitórias do time com pó de arroz, o que era considerado uma coisa super gay. Por isso, historicamente, a equipe é alvo de homofobia por parte dos outros times.

Assim como as leis brasileiras, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva não prevê homofobia ou preconceito por orientação sexual mas para o procurador feral do Tribunal de Justiça Desportiva, Antonio Carlos Meccia, qualquer discriminação cabe punição, baseado na Constituição. Mas o procurador destacou em entrevista sobre o tema que, como o atleta não é gay, pode ser visto como uma “brincadeira”, como xingar o juiz durante o jogo. “Se fosse com um jogador assumidamente gay, por exemplo, seria diferente”, afirmou ele para a imprensa.

É possível ver como o tema é tratado de forma diferente aqui e na Europa…
 

 
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