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Cursinho Positivo da Vicente terá novo protesto contra a LGBTfobia

Redação Lado A 30 de Setembro, 2015 12h01m

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Há alguns anos, duas alunas lésbicas do cursinho Positivo da Vicente Machado foram hostilizadas por outros estudantes e houve um protesto contra a LGBTfobia no local. A direção chegou a advertir uma professora que apoiou a manifestação. Agora, um aluno da instituição se diz vítima de homofobia por parte dos alunos e de funcionários e ganhou a solidariedade de alunos de um coletivo sobre gênero da UFPR que pretendem fazer um ato na frente do cursinho na próxima segunda-feira.
 
O modelo curitibano D. V., 17, cursou seu ensino médio em um dos colégios da instituição e na última sexta-feira foi para a aula de manhã do tradicional cursinho da Vicente Machado usando uma blusa com zíper de moletom com uma camiseta cropped (foto esquerda), por baixo, uma camiseta cortada na altura do umbigo, que mostra a barriga. Por causa do calor, ele decidiu abrir sua blusa de moletom e foi quando começou o bullying. Mesmo percebendo que as outras pessoas comentavam ele decidiu tirar o moletom porque sentia muito calor.
 
As pessoas começaram a comentar, a rir e apontar. Uma amiga de Dimi interveio e pediu para um rapaz parar de rir, que aquilo era homofobia, e o garoto teria dito: “Não me considero homofóbico porque para mim quem é homofóbico é aquele que bate”. Dimi decidiu ir embora da aula e, segundo ele, um aluno que ele já conhecia dos tempos de bullying no colégio começou a tirar fotos dele e ele foi até o rapaz pedir para apagar as fotos. O rapaz negou que estive tirando fotos mas perseguiu Dimi fazendo som de câmera fotográfica. A amiga defensora, que também já tinha desavenças com esse rapaz, começou a discutir com ele, até que o diretor chegou e mandou os dois garotos para a coordenação.
 
Segundo Dimi, ao sair da coordenação, ouviu um dos inspetores usar a palavra “viadinho” para se referir a ele, enquanto comentavam sobre a confusão. “O que está acontecendo?”, “Ah é sobre aquele viadinho…”, ele ouviu já na saída. Ao tentar voltar para o colégio, foi barrado pelos mesmos inspetores e o diretor veio até o local e o mandou ir para casa, dizendo que ele deveria tomar cuidado com as roupas que usava.
 
Indignado, o rapaz contou o ocorrido a amigos que nesta segunda-feira já foram ao local com suas camisetas cropped. O protesto da próxima segunda-feira espera ensinar algo que as escolas brasileiras não ensinam: que uma roupa é apenas uma roupa, e que os valores colocados nela são criados por nós. E é essa diversidade de valores que entram em choque e limitam o direito das minorias em nome de uma maioria que quer impor os seus valores a todos.
 
O caso lembra, em menor proporção, a situação vivida pela estudante Geizy Arruda, em 2009,  quando por conta de um vestido decotado quase apanhou em uma universidade em São Paulo. Por coincidência, a próxima Lado A traz uma camiseta cropped em seu editorial de moda.
O protesto será na segunda, dia 05/10, a partir do meio dia, entre os horários de saída e entrada dos alunos do cursinho. Saiba mais aqui.

 

Redação Lado A

SOBRE O AUTOR

Redação Lado A

A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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