Transexual é morta por jogador de futebol que não queria expor relacionamento

Redação Lado A 25 de Junho, 2018 19h42m

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Na manhã de quinta-feira, 21 de junho, foi encontrado o corpo da transexual Thalia Costa Barboza, nas margens do Rio Uruguai. A mulher de 33 anos trabalhava como vendedora em uma lotérica da cidade de São Borja, no Rio Grande do Sul, e foi morta pelo companheiro. O jogador de futebol Douglas Gluszszak Rodrigues, de 22 anos, membro da Associação Esportiva São Borja, matou Thalia com golpes de garrafa.

O casal tinha uma relação de aproximadamente 15 dias. O relacionamento quase foi interrompido próximo ao Dia dos Namorados, quando Thalia quis terminar mas Douglas se recusou. A motivação do crime seria porque o jogador não queria que o relacionamento fosse exposto nas redes sociais. Devido à condição transexual da namorada, Douglas teria se recusado a postar fotos do casal.

Apesar de oculto, o relacionamento entre Thalia e Douglas parecia normal. No celular da vítima foram encontradas inúmeras mensagens características de uma relação harmoniosa e apaixonada. Thalia confiava e admirava muito o namorado, que a ia buscar na rodoviária, toda segunda-feira, de madrugada. Essa rotina se dava porque o jogador sempre treinava na região metropolitana de São Borja.

Thalia era muito conhecida no bairro onde morava. Atuando na profissão de vendedora, era muito querida por todos da cidade com quem se relacionava com simpatia e bom humor. A irmã de Thalia, Mariane Costa Barbosa, de 26 anos, contou que a vítima superou a transfobia na cidade cativando os habitantes.

O crime

Thalia Costa Barboza foi morta no quarta-feira, dia 20 de junho, na região Oeste de São Borja. As câmeras de segurança do condomínio onde Douglas morava flagraram o casal entrando no prédio na noite do crime. Segundo depoimento de Douglas à polícia, a motivação do crime foi a vontade que Thalia manifestou em expor o relacionamento nas redes sociais.

O casal foi até o apartamento para comemorar o namoro. Diante da questionamento de Thalia sobre a negativa em expor o namoro, Douglas teria desferido golpes de garrafa. A vítima foi encontrada na manhã seguinte com o rosto desfigurado.

A polícia chegou até Douglas através das imagens das câmeras de segurança e por denúncias dos moradores do prédio. Uma pessoa comunicou à polícia que havia rastros de sangue na escada do condomínio. Depois disso, a pessoa responsável pela limpeza encontrou uma toalha manchada de sangue no imóvel. Um outro indício que incrimina Douglas é que seus dedos estão cortados, provavelmente lesionados no momento em que quebrou a garrafa no rosto de Thalia. Por fim, o carro e documentos da vítima foram encontrados próximos à residência de Douglas.

O jogador de futebol foi preso em flagrante no dia seguinte ao crime. Douglas foi levado para a Penitenciária Estadual de São Borja e vai responder por homicídio triplamente qualificado. A Associação Esportiva São Borja se manifestou em nota dizendo que lamenta o ocorrido e que já desligou o atleta.

 

 

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A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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