A estranha ligação dos neonazistas brasileiros com Jair Bolsonaro

Redação Lado A 03 de Outubro, 2018 21h29m

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Em 2017, o Ministério Público Federal de Minas Gerais recebeu da 9ª Vara Federal, uma carta do deputado Jair Bolsonaro recebida pelo grupo skinheads. A apreensão foi feita como prova de ação penal contra um grupo de neonazistas mineiros. A carta que estava em posse de um rapaz flagrado enforcando um morador de rua, que se autodenominava “skinhead whitepower” (poder branco) e nunca teve seu conteúdo revelado. Mas ao olhar os atos de campanha do candidato, os skinheads aparecem presentes mesmo antes da sua candidatura, configurando claramente uma das bases. Mas as coincidências vão além.

Em 2014, em uma sessão plenária da Câmara dos Deputados, em homenagem aos pracinhas das Forças Aéreas Brasileiras, o parlamentar chegou a dizer que seu bisavô foi um soldado alemão. Segundo ele forçadamente por falta de escolha, mas revelou que ele contou várias histórias para Jair antes de morrer. O assunto nunca mais foi tocado pelo candidato que em um programa do CQC afirmou que admirava o líder nazista por sua competência militar.

Os neonazistas brasileiros estão nas recepções dos aeroportos, manifestações, em toda a campanha de Jair Bolsonaro, sobretudo no Sul, onde o movimento tem mais tradição por conta das imigrações alemãs. Em 2015, o presidenciável chegou a tirar uma foto ao lado de Marco Antonio, qual se intitula professor e usa paletó com broches em referência ao nazismo, além de bigode e cabelo com franja em referência à Hitler. O encontro foi na Assembleia do Rio de Janeiro, durante discussão do projeto Escola Sem Partido. Antonio é membro do grupo extremista Nacional Democracia (DAP) e filiado ao PSC, ex-partido de Bolsonaro. O cosplay nazista concorreu ao cargo de vereador no Rio de Janeiro e fez 182 votos. Sua ficha no TRE diz que ele tem apenas o segundo grau completo.

Em 2011, os skinheads do movimento neonazista White Pride World Wide convocaram, no vão livre do Museus de Artes de São Paulo (Masp), um “ato cívico” em defesa de Jair Bolsonaro. A ideia era lançar ele a candidato a presidente. Bolsonaro precisou abandonar o PSC (Partido Socialista Cristão) para seguir com seus planos, escolheu o PSL, Partido Social Liberal, número 17. Para os skinheads, o número 8 é uma referência direta à Hitler, por H ser a oitava letra do alfabeto. Não precisa fazer muita conta: 7+1 = 8. O termo 88, para os neonazistas ou HH, significa Heil Hitler, a famosa saudação nazista que alguns reproduzem para o “mito” brasileiro.

Se você digitar o nome do candidato no Google com a palavra skinhead, não serão poucos os resultados. A campanha do deputado à presidência tem fortes traços da campanha nazista. A inflamação das massas, o destaque para o caráter moral do discurso, a supremacia de seus eleitores, a perseguição às minorias e o forte senso nacionalista.

E se o slogan de campanha de Bolsonaro fosse o mesmo de Hitler, você acreditaria? “Brasil acima de Tudo. Deus acima de todos”. Acontece que os nazistas chegaram ao poder exatamente com o slogan “Deutschland über alles”, ou “Alemanha acima de todos”. É Parte da estrofe do antigo hino alemão. O segundo verso do hino original diz Alemanha acima de tudo, mas no Brasil foi colocado “Deus acima de tudo”. Mas está lá, está tudo lá.

Confira a declaração do deputado contando que seu avô era nazista:

 

 

 

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A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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