Garrard Conley, autor de Boy Erased, diz já ter se submetido a “cura gay”

Redação Lado A 19 de Fevereiro, 2019 19h21m

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“Boy Erased” é um filme que fala sobre o drama das terapias de reversão sexual. Seu autor, Garrard Conley, que também escreveu um livro de mesmo nome do filme, contou que também já passou pela terapia. O autor e hoje ativista LGBTI+, é membro de uma família conservadora e cristã.

Apesar das lembranças de uma adolescência difícil, Conley disse que perdoa a sua família. O autor considera que as circunstâncias da época vitimaram tanto a ele quanto a sua família. Conley é filho de um pastor da Igreja Batista e aceitou passar por terapia de reversão sexual. Caso contrário, seria afastado de qualquer relação social com amigos e familiares.

Garrard Conley entende que, rodeada por um grande conservadorismo, sua família apenas reproduziu o que aprendia. Assim como seus pais, Conley também chegou a pensar que a homossexualidade era algo ruim. Além disso, no mesmo ano em que se submeteu a cura gay, em 1988, um crime homofóbico chocou os seus familiares. Matthew Shepard, um estudante de Wyiming, nos EUA, foi vítima da homofobia e morreu após ser duramente torturado.

Conley cita esse acontecimento como um dos motivos que o levou à “cura gay”. Certamente, nem ele e nem sua família queriam que o mesmo acontecesse com Conley. Além disso, sua homossexualidade veio à tona após sofrer um estupro. Quando contou aos pais sobre o ocorrido e disse que era gay, foi surpreendido com a obrigatoriedade de passar por terapia de reversão sexual.

Anos após o ocorrido, o autor ainda demorou muito para escrever “Boy Erased”. Apesar de reconhecer a gravidade da “cura gay”, ele se sentiu envergonhado por ter se submetido às terapias. Por isso, decidiu escrever o livro que se tornou filme, para que outras pessoas não se submetam ao que ele passou.

Cancelamento

O filme Boy Erased – Uma Verdade Anulada estava previsto para estrear em 2019 no Brasil. No entanto, a distribuidora Universal Studios afirmou que não iria mais transmitir o filme nos cinemas. Além disso, a obra ficaria disponível apenas em plataformas de streaming, mas ainda não foi divulgado o seu lançamento.

O cancelamento do filme foi por questões financeiras, segundo a Universal Studios, nos EUA, o longa não atingiu às expectativas de bilheteria. Temendo a mesma reação no Brasil, a distribuidora de filmes decidiu cancelar seu lançamento no país. O cancelamento levantou rumores de censura devido ao novo governo LGBTfóbico e conservador, mas a informação já foi desmentida.

Redação Lado A

SOBRE O AUTOR

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A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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