Após divulgar Turma da Mônica LGBT+, filho de Maurício de Souza sofre ataques homofóbicos na internet

Redação Lado A 18 de Outubro, 2019 14h35m

O cartunista Mauro de Souza, filho de Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, divulgou que está produzindo o quadrinho na versão LGBT+. Com a ajuda do namorado, Rafael Piccin, Mauro de Sousa já está no processo criativo da revista. Além disso, a produção conta com a ajuda de outras pessoas engajadas na causa LGBT+.

A declaração sobre a versão LGBT+ da Turma da Mônica, no entanto, gerou muitas críticas. Nesta quarta-feira (16), Mauro de Sousa postou no Instagram sua indignação com a homofobia que está sofrendo. Com uma arte da Turma da Monica, ele falou sobre os ataques para seus fãs.

“Este texto é, principalmente, um pedido de ajuda”, publicou Sousa. Ele mencionou que está recebendo dezenas de mensagens homofóbicas sobre sua vida pessoal e de trabalho. “Elas são muitas”, disse. De acordo com o filho do cartunista, os comentários variam. Alguns dizem que sua homossexualidade não é “natural”. Já outros, incitam o ódio e dizem que o rapaz deve sofrer agressões como “apanhar de arame farpado”.

No post, Mauro de Sousa fez um apelo. Ele afirmou que pode escrever e falar sobre homofobia em suas redes sociais e que essa ação pode ajudar na luta contra a LGBTfobia. Por outro lado, ele citou as pessoas que não têm nenhum espaço para falar e sofrem diariamente com a homofobia. Por isso, Mauro pediu aos seus fãs que se atentem para os LGBTs que sofrem ao seu redor. Por fim, ele pediu que seus fãs o apoiem.

Além de seus projetos a favor da representatividade LGBT+, Mauro de Sousa também se posiciona contra a censura. No mês passado, uma HQ com beijo gay foi censurado pelo prefeito do Rio de janeiro Marcelo Crivella. Em resposta, Mauro fez um beijaço com seu namorado.

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Este texto pode parecer sobre mim, mas não é. O caso é comigo, mas o foco não sou eu. Este texto é, principalmente, um pedido de ajuda (ou um grito de socorro) e ele não vem à toa. A vontade de escreve-lo apareceu por conta das dezenas de mensagens homofóbicas que recebo todos os dias por eu abordar o assunto LGBT, seja na minha vida pessoal ou no trabalho. E elas são muitas. Muitas mesmo. Há os preconceituosos indiretos, que se disfarçam de bem-intencionados com o discurso do ”É inadequado” ou do “Não é natural”, e há os bem diretos, desejando que eu “apanhe de arame farpado”. E não há pior, todos são intencionalmente cruéis – essa normalização da hostilidade me assusta demais. E como são escritos diretamente pra mim, querendo o meu mal, eu minto se disser que não me machuco sozinho. Meu primeiro impulso é recuar e apenas observar a barbárie acontecendo enquanto fico ali, perplexo, no meu “ensaio sobre a cegueira”. Mas eu tenho um escape, eu tenho o meu truque: eu posso escrever. Não que a intenção seja transformar minha rede social em um diário aberto ou um muro de lamentações (muito pelo contrário), mas é aqui que vou ser lido e acolhido por vocês, meus seguidores. Mesmo que virtualmente, vocês me reconfortam e me mantêm na trilha. E isso é bom. Mas como eu disse, este texto não é sobre mim. Este texto é sobre os milhares de LGBTs por aí que não podem escrever, que sofrem calados, que morrem espancados na sarjeta como se fossem ratos. Se eu, com todo o suporte que tenho, sou atacado e ainda me abalo, imaginem a grande maioria desamparada que não têm ninguém? Então, seguidores, o meu pedido é que, da mesma forma que vocês me ajudam, também se atentem às pessoas ao redor. Em especial, aos LGBTs ao seu redor. Sejam adultos ou crianças, eles podem estar precisando de um ombro amigo. E todos nós, mais do que nunca, estamos precisando nos dar as mãos e não soltar mais. ✏️: na ilustração da minha irmã @marinatakeda , estamos eu, ela e meu irmão @maurisousa_ , abraçados, protegidos, fortalecidos, como sempre estivemos e como todos devemos estar. #maisamor

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SOBRE O AUTOR

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A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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