Presidente da ABGLT critica projeto de “cura gay”: “Não existe nem ex-gay”

Na última semana, o deputado federal pastor Marco Feliciano voltou a ser assunto na mídia, tudo porque o também presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados colocou em votação um projeto que prevê a “cura gay”.  O projeto foi visto por muitos como um retrocesso , inclusive para o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) Carlos Magno Silva Fonseca.  

O projeto, proposto em 2011 pelo tucano João Campos (PSDB-GO), tem como objetivo barrar uma norma da resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), de março de 1999, que impede os profissionais da área de sugerirem aos pacientes tratamentos que busquem a cura da homossexualidade.  Carlos Magno, em entrevista ao jornal Zero Hora, disse que o projeto além de ser um absurdo, reforça a homofobia do deputado. 
 
“É um absurdo. Na verdade, a postura do próprio deputado está só reforçando o que nós já dizíamos, que é um deputado homofóbico e que não está preocupado com os direitos humanos. A homossexualidade não é doença”.  Magno ainda reforça: “Se o deputado Feliciano tivesse mesmo uma preocupação com os direitos humanos, ele estaria se preocupando com a homofobia, que mata um homossexual a cada 26 horas no país. Ele devia estar se empenhando para que a homofobia acabasse no país, para que o crime de ódio e intolerância ao homossexual fosse aprovado.” 
 
Para o presidente da ABGLT , ex-gay não existe, o que ocorre é que as pessoas se sentem oprimidas com relação a sua sexualidade.  “Acho que não existe nem ex-gay, nem ex-heterossexual, na verdade o que acontece é que a pessoa oprime a sua sexualidade por causa do preconceito, mas ele não deixa de ter sua orientação sexual, seus desejos, seus afetos. Ele pode oprimir, mas mudar ele não consegue. Nenhum estudo aponta que é possível mudar sua orientação sexual”, conclui. 
 
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