Pela primeira vez, São Paulo elege duas deputadas trans

Pela primeira vez na história da Assembleia Legislativa de São Paulo, uma mulher trans irá ocupar o cargo de deputada. Erica Malunguinho da Silva (PSOL) é uma mulher transexual, negra e nordestina que conseguiu mais de 54 mil votos nesta eleição. Após lançar sua primeira candidatura, Erica conseguiu trazer a representatividade que almeja para dentro da política.

Erica é mestra em história da arte e estética pela USP e é conhecida por um projeto social. A candidata fundou o Aparelha Luzia, um movimento de inspiração quilombola para promover a arte em São Paulo. Através de seu projeto, Erica reúne um público majoritariamente negro para reafirmar a sua cultura e arte.

O Aparelha Luzia é um espaço de produção cultural criado para que as manifestações das minorias não sejam impedidas. O projeto é uma busca pela existência e permanência da representatividade negra e LGBTQ. Como mulher negra e trans, Erica tem uma militância para que todos possam existir livremente.

A campanha de Erica focou na alternância de poder. Dessa forma, ela pretende lutar pelo espaço das minorias na política. Para a candidata, o poder está formado por um grupo que representa a sociedade dominante. A atual gestão, para Erica, mantém a desigualdade social e não está preocupada com as parcelas marginalizadas da sociedade. Por isso, seu projeto Aparelha Luzia é um quilombo urbano, para reproduzir um sistema mais democrático e igualitário.

Trajetória

Erica Malunguinho da Silva saiu de Pernambuco aos 19 anos de idade. Sua vinda para a capital paulista foi motivada pelos anseios de mudança e reinvenção. Após muitos anos de luta por espaços sociais negados para as minorias, a candidata conseguiu se eleger, aos 36 anos, como a primeira trans na Assembleia Legislativa do Estado.

Na época em que terminou o ensino médio, Erica levou os ensinamentos da escola, mas também as dificuldades que enfrentou. Como mulher trans e negra, a escola que muitas vezes reproduz preconceitos sociais, também a oprimiu. No entanto, a artista nunca deixou de lutar e seguiu seus estudos que junto com sua militância servem para amparar as pessoas mais necessitadas.

Seu nome, Erica, foi escolhido pela sua mãe que sempre sonhou em ter uma filha. A mulher a criou sozinha, assim como muitas mães do país em que milhões de crianças sequer têm o nome do pai no registro de nascimento. Já o segundo nome, Mulanguinho, é uma referência à Jurema Sagrada, entidade que faz parte da religiosidade e cultura de onde nasceu.

Erika Hilton

Além de Malunguinho, outra trans, a Erika Hilton, também foi eleita para o legislativo. Do mesmo partido de Malunguinho, o PSOL, Hilton é uma mulher trans e negra que luta pelos direitos LGBTQ e contra o racismo há tempos. A candidata é estudante de gerontologia na Universidade Federal de São Carlos. Junto com outras candidatas transexuais em São Paulo e no resto do Brasil, elas estão cada vez mais perto de compor um cenário mais plural dentro da política do país.

Redação Lado A :A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa