No sangue e nas telonas.

Desde 2004, gays eram proibidos de doar sangue. Tudo porque, na época a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia expedido uma resolução que ocasionou tudo isso. Mas agora, depois de uma liminar essa resolução, discriminatória, foi derrubada. A proibição era inconstitucional, porque fere ao artigo 5 da Constituição Federal que diz: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Porém, a Anvisa ainda pode recorrer da decisão.

A discriminação era tão escancarada que havia uma pergunta, no questionário dos hemocentros, sobre a orientação sexual dos doadores. E a partir daí já era feito a exclusão dos homossexuais. Ou seja, se supunha que gays eram sinônimo de portadores do vírus HIV. Só pode. Embora estejamos no século XXI, ainda há quem acredite nessa história de gays serem todos promíscuos e por isso todos têm doenças, fantasia. Há algumas décadas atrás era uma verdade que muita gente na comunidade portasse o HIV, mas, porque se desconhecia a doença e não davam importância aos preservativos. Hoje cresce o número de heteros com AIDS e assim já não chamam a doença de “o câncer dos gays”.

Agora que foi devolvido aos gays esse direito roubado, que façam jus a ele. Todos, gays ou não, deveriam doar sangue. Isso é um belo ato de humanidade. Doar sangue é salvar vidas. Seja o sangue de quem for. Um dia todos podem precisar e aí perceberão a importância da doação. Eu acredito que isso seja um dever social.

Mas, mudando um pouco de assunto. No dia 3 de agosto, foi lançado o Ponto de Cultura para Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros do Rio Grande do Sul, financiado pelo Ministério da Cultura. A idéia é criar uma espécie de centro cultural em que a produção desenvolvida nele possa ler levada a outras cidades do próprio estado. Uma iniciativa interessante, que com um pouco de estudo, empenho e responsabilidade poderia ser realizado aqui em Curitiba, também. Muitos gays sabem quase nada dessa cultura, quem dirá o restante da população.

E já no cinema, em São Paulo, estreou o filme Transamérica, dirigido por Duncan Tucker. O longa conta a saga de uma transexual que está prestes a fazer uma cirurgia para mudança de sexo. Ao longo dessa jornada, muitas coisas acontecerão de maneira a impedir a realização de seu propósito. Quem viu, diz ser um belo filme. O jeito é esperar que venha para a cidade ou quem sabe pedir para que venha. Quem souber como, fale.

No mais, críticas, sugestões ou comentários: fernandoctba@hotmail.com

Au revoir.




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