O Ônibus, o Tipo e os Cães no Cio

O homem é o único animal com capacidade de raciocínio! Pude ter a certeza disso esta semana, ao ficar de babá do cãozinho de um amigo meu, que possui um casal de Shitzus. A fêmea estava no cio e como o seu dono não quer que ela “pegue cria” e também não quer aplicar nela a famosa injeção para cortar o cio, dadas as complicações para a saúde da pequenina, preferiu deixar o machinho na casa de alguém que pudesse cuidar e ao mesmo tempo ele tivesse seu espaço. 

O cão ficava completamente transtornado próximo da fêmea, tentando a todo custo cruzar de modo que não se importava em não se alimentar, apenas ficava correndo atrás da fêmea, sendo necessária a separação para que não consumassem o ato. Acabei ficando com essa incumbência, nada difícil, de levar o cachorro para minha casa. Para mim, ainda faria companhia.

O mais interessante foi ver a atitude do macho querendo a todo custo fecundar a fêmea. Não sei se estava maluco ou não, acabei fazendo um comparativo com a situação do cãozinho. Estava eu no ônibus, indo em direção ao trabalho, e comecei a analisar os homens que entravam e desciam. Silenciosamente media a todos, e me questionava internamente: Será que eu dormiria com esse? Também afirmava silenciosamente: Com esse eu dormiria! Com esse eu não teria coragem! Com esse... Com esse...

Percebi que todos temos um tipo definido de homem que nos atrai. Alguns gostam de altos e magros, outros de baixos e gordos, e tantas opções que me faltariam adjetivos. Porém eu possuo meu tipo de homem ideal, mas isso não quer dizer que não iria abrir minhas exceções, principalmente quando eu percebo que às vezes estou mais afim de sexo do que de um relacionamento. Vejo brotar um desejo que mais tem a ver com amor carnal do que qualquer outra coisa. Sentia-me dirigido pelo sexo medindo a todos os homens na rua, no ônibus, na fila do mercado. Assusta-me, pois estou como o shitzu macho de meu amigo que precisa realizar seu instinto de alguma maneira.

Será que não estamos anulando nossos instintos naturais em nome de certos costumes aceitos pela sociedade moderna? Digo isso, pois em algumas sociedades é aceito o homem ter várias esposas, mas aqui, por exemplo, não seria respeitoso. O instinto de “caçador” nos faz trair pelo simples fato de coabitarmos? Seria uma desculpa para os que traem? Mas também o que diríamos a todos os que com domínio próprio mantém fiéis em relações que constroem dia a dia? Realmente somos seres misteriosos... menos do que um shitzu.



Comentários

De fato... Essa reflexão sobre sermos fiéis ir contra nossa natureza também já me passou pela cabeça. Como encontrei mais perguntas do que soluções, prefiro não aprofundar nesse assunto.

Comentar

Conteúdo relacionado