Em plena Copa do Mundo de Futebol Feminino, esporte debate sobre atletas lésbicas

Na semana passada, o jornal NY Times publicou uma extensa matéria sobre as lésbicas no esporte, usando como gancho a seleção da Nigéria, país que é sabidamente território homofóbico. A seleção da Nigéria participa da V Copa do Mundo de Futebol Feminino, que ocorre até 17 de julho na Alemanha. O jornal entrevistou a técnica nigeriana Eucharia Uche e usou uma declaração de um ex assistente da treinadora, James Peters, que afirmou em Março que algumas jogadoras teriam sido dispensadas “não porque eram ruins, mas porque eram lésbicas”.

A técnica nega que tenha dispensado ou descoberto a homossexualidade de alguma jogadora, mas afirmou que o lesbianismo no futebol é comum e anteriormente chegou a dizer em um seminário que a situação do lesbianismo na seleção era um “episódio preocupante”. Para o Times, ela chamou a homossexualidade de “algo sujo” e “espiritualmente sujo” e confessou que pede ajuda a pastores pentecostais (evangélicos), que rezam, lêem a Bíblia e aconselham as jogadoras. “Quando os rumores são fortes, você é forçado a acreditar que está acontecendo”, disse a treinadora de 38 anos que já jogou fora do país, sobre a sexualidade de suas jogadoras. Para ela, isso é um assunto do passado. “E percebi que não é uma batalha física, nós precisamos de intervenção divina para controlar e coibir. E eu digo que funcionou para nós. Isso é algo do passado. Algo que nunca foi dito”, falou a treinadora sobre a homossexualidade e o tratamento que dispensou às jogadoras.

A matéria do Times traz ainda uma crítica a inércia da FIFA em não admitir que a lesbofobia no futebol feminino é alarmante ou tomar providências. Em 2008, Eudy Simelane, 31, uma das jogadoras mais proeminentes da Africa do Sul foi brutamente assassinada a facadas. No ano anterior, a própria Nigéria acusou a equipe da Guinea Equatorial de possuir jogadores homens, se referindo a atletas de visual masculinos da equipe oponente.

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